Apu Gomes/AFP
Apu Gomes/AFP

Califórnia faz casamentos em estacionamento

Apenas uma pessoa pode acompanhar a cerimônia; amigos e parentes devem aguardar a distância, nos carros

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2020 | 03h00

O coronavírus atingiu em cheio uma indústria de US$ 74 bilhões nos Estados Unidos. Organizadores, DJs, bandas, floristas, fotógrafos e fornecedores de comida ficaram sem trabalho. Mas, mesmo durante a pandemia, as pessoas não desistiram do sonho de se casar.

Desde sexta-feira, o condado de Orange, na Califórnia, vem realizando cerimônias no estacionamento do Honda Center, ginásio usado pelo Anaheim Ducks, time da liga americana de hóquei no gelo. Um dos primeiros casais foi Natasha e Michael Davis, que na segunda-feira compareceram diante da escrivã Erika Patronas para consolidar sua união.

Ao jornal Los Angeles Times, o escrivão Hugh Nguyen disse que o condado vinha recebendo uma grande demanda de noivos que tiveram de desmarcar a cerimônia e não sabiam o que fazer – muitos precisam de uma certidão de casamento para questões práticas, como dividir o plano de saúde em um momento decisivo. “As pessoas queriam casar pelo FaceTime”, disse Nguyen. “Por isso, começamos a procurar lugares que tivessem um vidro separando a equipe de funcionários e o público.” 

A primeira opção foram os cinemas, que foram logo descartados porque estavam todos fechados. O centro de convenções do condado de Orange também foi desconsiderado, porque está abrigando moradores de rua durante a pandemia. Foi quando o Honda Center oferecer o estacionamento. Como os guichês já são vedados, por proteção, era o local perfeito.

Apenas uma pessoa pode acompanhar a cerimônia. Amigos e parentes devem aguardar a distância, nos carros. Mas a testemunha pode gravar e transmitir o casamento por Zoom – como geralmente acontece.

Na semana passada, o Estado de Nova York já havia autorizado cerimônias por teleconferência. “Não há desculpa agora quando a questão é casar. Sem desculpa. Você pode fazer isso por Zoom. Então, sim ou não?”, brincou o governador nova-iorquino, Andrew Cuomo. Os Estado de Ohio e Colorado também adotaram medidas semelhantes.

Enquanto isso, a indústria americana do casamento passa os dias calculando os prejuízos. Ninguém sabe quanto tempo pode aguentar sem receitas e se tem direito de pedir ajuda financeira ao governo. Há ainda a preocupação extra sobre como a pandemia pode mudar as cerimônias nos próximos anos. /NYT

 

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