Calma em Díli dura pouco; violência volta às ruas

Um grupo de saqueadores atacou um armazém de arroz em Díli, capital do Timor, depois de quadrilhas rivais do leste e oeste do país se enfrentarem durante a tarde e noite de quarta-feira em vários pontos da cidade. A violência em Díli recomeçou depois de uma relativa calma, após dez dias de caos e ataques pelas ruas. O presidente Xanana Gusmão chegou a anunciar que havia assumido o controle das forças de segurança timorenses. A estrada do aeroporto à cidade foi um dos pontos mais conturbados, com brigas e enfrentamentos entre grupos rivais jovens. As tropas australianas, que lideram o contingente internacional de mais de 2 mil homens enviado a Díli para tentar conter a violência, tiveram que usar gases lacrimogêneos para dispersar os manifestantes. À noite, um mercado foi incendiado no centro de Díli assim como várias casas, antes de as forças australianas chegarem. Milhares de civis continuam refugiados em igrejas e outros locais, apesar de os comandantes australianos insistirem que eles podem voltar para suas casas. Na memória de todos ainda está viva a violência de 1999, após o plebiscito que decidiu pela independência. Na ocasião, milícias pró-Indonésia, com a cumplicidade do Exército, atacaram civis nasruas. Fila para receber arrozMilhares de pessoas voltaram a se concentrar nesta quinta-feira nos armazéns governamentais de Díli para receber os sacos de arroz distribuídos para cobrir as necessidades básicas na capital do Timor Leste, onde cerca de 70 mil pessoas permanecem em acampamentos de refugiados devido à onda de violência. Havia ma longa fila em frente ao armazém de arroz do governo, no centro da cidade, onde cada família recebe um saco de 50 quilos.A distribuição terminou sem incidentes, sob a supervisão das tropas australianas. Vários tanques estavam posicionados nos arredores para evitar saques. "Com 50 quilos, fico tranqüilo por 15 dias. Depois eu volto", disse João Suarez, um pai de família com cinco filhos que aguardava pacientemente sua vez sob o sol que castiga a cidade. O padre salesiano Antonio Pinto disse que a situação está ficando crítica, com o fim das reservas de arroz e a paralisia do mercado local. As principais estradas que ligam Díli às províncias estão cortadas, e os comerciantes indonésios e chineses deixaram o país. "Se daqui a dois dias não chegarem mais mantimentos, entraremos numa crise total", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.