Câmara aprova moção de repúdio aos Estados Unidos

Documento será criado devido às notícias de que americanos teriam monitorado ligações e e-mails de cidadãos brasileiros

Ricardo Della Coletta, da Agência Estado,

09 de julho de 2013 | 21h13

A Câmara dos Deputados aprovou uma moção de repúdio ao governo dos Estados Unidos devido às notícias de que os americanos teriam monitorado ligações telefônicas e e-mails de cidadãos brasileiros. De acordo com a moção - sugerida pelo líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE) -, as atividades da National Security Agency (NSA) "violam direito de empresas e cidadãos brasileiros e atentam contra a soberania nacional".

A moção passou com 292 votos favoráveis e 86 contrários. Na votação, 12 deputados se abstiveram.

A moção diz que os parlamentares estão "chocados" com as revelações trazidas à luz por Edward Snowden, ex-analista da NSA e pivô do vazamento das informações americanas. "(As revelações) demonstram, com grande conhecimento de causa, que os direitos dos cidadãos brasileiros vêm sendo violados pelas ações da NSA, que atentam contra a privacidade e a inviolabilidade das comunicações", relata o documento.

"Manifestamos o nosso repúdio à espionagem e o monitoramento de bilhões de e-mails, telefonemas e dados de empresas e cidadãos brasileiros, bem como do governo do Brasil, supostamente realizados por agências de inteligência dos Estados Unidos da América, que violam direitos de empresas e cidadãos brasileiros e atentam contra a soberania nacional", continua a moção.

No documento, os deputados também apoiam a intenção do Brasil de levar o caso à Organização das Nações Unidas (ONU) e à União Internacional das Telecomunicações (UIT). Por último, o texto aprovado pelos deputados também demonstra "apreensão" com a segurança de Snowden, atualmente na área de trânsito do aeroporto de Moscou.

''Filigrana''

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi um dos que falaram contra a moção. O parlamentar disse que a iniciativa é prematura. "É prematuro, os Estados Unidos são o nosso segundo maior parceiro comercial. Por uma filigrana, não podemos procurar animosidade com um País tão importante", disse o deputado.

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