Câmara aprova projeto de reforma política na Argentina

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou ontem, por 136 votos a favor - sete acima da quantidade necessária -, 99 contra e uma abstenção, o projeto de reforma política enviado pelo Executivo. A matéria será enviada ao Senado, e a Casa Rosada pretende votá-la na próxima semana. Com mais de 50 modificações no projeto original, o texto reforça o bipartidarismo no sistema argentino e prejudica os pequenos partidos, segundo críticas dos parlamentares de centro-esquerda.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

19 Novembro 2009 | 18h43

O Partido Socialista, do governador de Santa Fé, Hermes Binner, acusou o governo de promover uma reforma "sem o consenso das forças políticas". Segundo a líder da bancada socialista na Câmara, Silvia Augsbuger, "o governo, mais uma vez, perde a oportunidade de fazer algo bem feito e se aproveita da maioria parlamentar para aprovar algo em benefício próprio".

A partir do dia 10 de dezembro, quando assumem os parlamentares eleitos em junho, a Casa Rosada não terá a maioria absoluta na Câmara. Por isso, o Executivo corre contra o relógio para aprovar as matérias de interesse oficial. A reforma favoreceria uma eventual candidatura do ex-presidente Néstor Kirchner à Presidência em 2011, porque dificulta a formação e manutenção de partidos pequenos, diz a oposição. "O projeto prepara o terreno para a volta de Kirchner à presidência", acusou o deputado eleito Pino Solanas, o cineasta líder do Projeto Sul, de centro-esquerda.

Para o líder da bancada do Pro, de centro-direita, Federico Pinedo, "a lei é sobre medida para Kirchner". Apesar da derrota eleitoral sofrida nas eleições parlamentares de junho passado e da baixa popularidade dele e do governo de sua mulher, Cristina Kirchner, Néstor aspira a ocupar o centro da política argentina.

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