Câmara aprova Venezuela no Mercosul

Governistas obtiveram a aprovação após polêmica com PSDB; assunto precisa passar ainda pelo Senado

Luciana Nunes Leal e Denise Madueño, O Estadao de S.Paulo

18 de dezembro de 2008 | 00h00

Os governistas conseguiram aprovar ontem, no plenário da Câmara, a inclusão da Venezuela no Mercosul, depois de uma longa polêmica com o PSDB, que rejeita a proposta por considerar o presidente venezuelano, Hugo Chávez, autoritário e antidemocrático. Votaram a favor da adesão 265 deputados e 61 foram contrários. Houve seis abstenções. O projeto vai agora para o Senado.Os deputados aliados atenderam a um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, interessado em anunciar a aprovação ainda durante a Cúpula da América Latina e Caribe, na Costa do Sauípe, na Bahia. O projeto enviado pelo governo Lula, em fevereiro de 2007, demorou ainda mais a ser aprovado por causa do insulto de Chávez ao Parlamento brasileiro, que desagradou parlamentares de todas as tendências. INSULTOEm junho de 2007, Chávez disse que o Congresso brasileiro é "papagaio dos Estados Unidos". Era uma resposta a moção aprovada no Senado que pedia a reabertura da RCTV, emissora privada que não teve a renovação autorizada pelo presidente venezuelano. No mês seguinte, Chávez chegou a dar um ultimato, dizendo que deixaria a condição de país associado ao bloco se o Parlamento brasileiro não votasse a adesão definitiva. Em novembro do mesmo ano, o projeto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, depois de mais de cinco horas de discussão.Diante dos discursos dos opositores contra a inclusão da Venezuela, os governistas argumentaram que se tratava de interesse comercial e não de uma discussão política sobre o governo Chávez. "Não podemos fazer crivo ideológico. A integração entre países é de pluralidade e isso não significa concordância com o regime político do país", sustentou o petista José Genoino (SP). O tucano Antônio Carlos Pannunzio (SP) sustentou que a Venezuela não cumpriu a totalidade das exigências para que um país seja integrante efetivo do bloco. O deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) reiterou a posição contrária e afirmou que a inclusão da Venezuela poderia dificultar acordos bilaterais do Brasil. "O Mercosul já está em uma certa crise e a entrada da Venezuela só vai agravar ainda mais, vai dificultar as relações do Brasil com parceiros tradicionais", discursou Madeira. A votação criou um atrito entre o PSDB e o DEM, parceiros na oposição ao governo. O PSDB acusou os democratas de negociar a votação do acordo internacional em troca da votação, ainda ontem, da indicação do ex-senador José Jorge (DEM-PE) para o Tribunal de Contas da União (TCU). Os tucanos ficaram sozinhos na tentativa de barrar a votação da entrada da Venezuela no Mercosul. O líder do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), disse que o partido é contra o projeto, mas liberou a bancada para votar com quisesse, citando casos de parlamentares de Roraima, favoráveis à adesão da Venezuela.

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