Câmara argentina aprova reforma eleitoral que prevê igualdade de gênero

Projeto, que ainda precisa ser sancionado, estabelece que listas para o Congresso sejam integradas com um candidato de cada sexo e substituiu cédulas de papel por votação eletrônica

O Estado de S. Paulo

20 de outubro de 2016 | 16h14

BUENOS AIRES - A Câmara dos Deputados aprovou na madrugada desta quinta-feira, 20, uma reforma eleitoral que aplica o sistema de votação eletrônica e instaura a igualdade de gênero, com o objetivo de ampliar para até 50% a representação feminina.

A reforma havia passado ao Senado e foi debatida na quarta-feira 19, com congressistas vestidas de preto, em referência ao slogan que inspirou uma enorme manifestação convocada pelo grupo #NiUnaMenos após o brutal assassinato da adolescente Lucía Pérez no dia 8.

Com 152 votos a favor, 75 contra e 3 abstenções, a a reforma foi apoiada pelo governismo de centro-direita, pela Frente Renovadora (peronistas de centro-direita), pelo Bloco Justicialista (peronistas de centro) e por outras bancadas menores. O projeto, que ainda precisa ser sancionado, estabelece que as listas com as candidaturas ao Congresso deverão ser integradas de maneira intercalada com um candidato de cada sexo.

O presidente provisório do Senado, Federico Pinedo, indicou que "o mais desejável é que a Reforma Eleitoral seja sancionada tal como vem da Câmara Baixa", embora tenha votado contra o projeto de paridade de gênero ao considerar que "deveria deixar espaço às pessoas que representam os interesses do povo, para além de seu sexo".

Um dos aspectos que despertou mais polêmicas antes da votação é a substituição da cédula de papel por um sistema de votação eletrônica, que no caso argentino já funciona em Buenos Aires e na província de Salta (norte). Os integrantes do bloco kirchnerista Frente para a Vitória (FPV) são os mais críticos ao sistema eletrônico e insistem que a cédula de papel seja mantida. /AFP

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