Câmara argentina vota antecipação de eleições nesta 4ª

Crise leva Kirchners a propor voto antecipado; governo teme que piora da situação cause derrota em outubro

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

18 de março de 2009 | 11h22

A Câmara dos Deputados da Argentina vota nesta quarta-feira, 18, o projeto de lei da presidente Cristina Kirchner que propõe a antecipação das eleições de 25 de outubro para 28 de junho. Ontem, o projeto foi aprovado pela Comissão de Assuntos Constitucionais e, agora, o governo precisa de 129 votos para passar pela Câmara. O kirchnerismo, ala do Partido Justicialista (PJ) alinhada com o casal Cristina e Néstor Kirchner (o ex-presidente e atual presidente do PJ) afirma que possui 137 dos 257 votos. A oposição tem 95 votos e indecisos, abstenções e ausentes somam 25 votos.

 

Para a oposição, o casal Kirchner considera que pode conquistar mais votos com a antecipação, avaliando que os efeitos econômicos da crise global até outubro poderiam ser devastadores para o governo federal. No fim de semana, a ala peronista liderada pelos Kirchners sofreu uma inesperada derrota, por mais de 10 pontos porcentuais em eleições legislativas na pequena Província de Catamarca. Após seis anos de alto crescimento, o governo foi surpreendido pela desaceleração econômica. As exportações tiveram uma queda de 36% em janeiro, em relação ao mesmo período do ano anterior. Na indústria automobilística, a queda foi de 55%.

 

O cenário de votos pode mudar com o endurecimento do conflito entre o setor agropecuário e o governo. Na ausência de um acordo com o governo em torno dos impostos de exportações e medidas de apoio aos produtores, ontem à noite os líderes rurais declararam estado de alerta em todo o país e essa mobilização pode influenciar os votos dos deputados mais próximos ao setor. A situação é uma repetição do que ocorreu em julho de 2008, quando o casal conseguiu aprovar o aumento dos impostos de exportações agrícolas na Câmara com uma pequena margem de votos: 129 a 122. A matéria foi derrubada na votação do Senado com o voto "não" do vice-presidente Julio Cobos, que desempatou a votação.

 

Cristina justificou a proposta afirmando esperar que o Congresso argentino livre-se logo da agenda eleitoral e se concentrem o quanto antes no debate das medidas contra a crise. Segundo ela, a antecipação evitará que os legisladores passem os próximos seis meses envolvidos na disputa eleitoral. Até agora, o governo vinha utilizando o crescimento econômico como um trunfo valioso, num país traumatizado por recentes crises. A popularidade de Cristina caiu de 50% no início do mandato, em dezembro de 2007, para 30% no início deste ano, segundo as pesquisas mais confiáveis. As eleições deverão renovar metade da Câmara de Deputados e um terço do Senado. Hoje, o governo já tem maioria nas duas Casas.

 

(Com o Estado de S. Paulo)

Tudo o que sabemos sobre:
ArgentinaeleiçõesCâmara

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.