REUTERS/Jose Miguel Gomez
REUTERS/Jose Miguel Gomez

Câmara da Colômbia abre investigação preliminar contra Juan Manuel Santos no caso Odebrecht

Ex-presidente colombiano é investigado por ter recebido repasses ilegais da construtora nas campanhas eleitorais de 2010 e 2014

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2019 | 14h58

BOGOTÁ - A Comissão de Acusações da Câmara dos Deputados da Colômbia abriu nesta quarta-feira, 5, uma investigação preliminar contra o ex-presidente Juan Manuel Santos, investigado por suposta vinculação com o escândalo de corrupção da construtora Odebrecht no País.

O motivo da abertura da investigação, segundo relato do presidente da Comissão deputado Ricardo Ferro, seria uma entrevista concedida à imprensa local pelo ex-senador Bernardo Miguel Elías Vidal, conhecido como "Ñoño Elías", preso e condenado em fevereiro do ano passado a seis anos e oito meses pelos crimes de suborno e tráfico de influências ao conceder obras à Odebrecht na Colômbia em troca de propinas. 

No próximo dia 17, tanto Ñoño Elías quanto um representante legal do ex-presidente colombiano devem comparecer à Comissão para depor. A intenção é não só investigar a influência da Odebrecht no País como também outros supostos delitos de Juan Manuel Santos, mencionados pelo ex-senador na entrevista. 

O político chegou a afirmar que, se não fosse pelo dinheiro doado pela Odebrecht à campanha eleitoral de Santos em 2014, ele não teria sido reeleito. O ex-presidente é investigado por ter recebido US$ 450 mil da construtora. Também há suspeitas de repasses ilegais na campanha de 2010, quando Santos foi eleito pela primeira vez.

Em abril do ano passado, a Comissão já havia solicitado depoimentos de investigados para decidir se seria o caso de abrir uma investigação formal. Um deles é o ex-senador colombiano Otto Bula, preso por aceitar propina de US$ 4,6 milhões para intermediar na consecução de contratos para a Odebrecht no país. O ex-gerente da campanha de 2014, Roberto Prieto, que também depôs, foi condenado a cinco anos de prisão pelo recebimento de propinas. 

Após um mês, a investigação foi arquivada, sob a alegação que a Comissão "considerou que não havia indícios diretamente contra o presidente da República", afirmou à época o então deputado Nicolás Guerrero.

Segundo documentos publicados em dezembro de 2017 pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Odebrecht pagou US$ 386,2 milhões em subornos em 12 países da América Latina. Somente na Colômbia, mais de US$ 11 milhões teriam sido pagos entre 2009 e 2014. Entretanto, o órgão colombiano chamado de Fiscalização Geral da Nação apontou que o dinheiro recebido da construtora seria o equivalente a US$ 25,4 milhões, na atual conversão. / EFE

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