Ettore Ferrari/EFE
Ettore Ferrari/EFE

Câmara dos Deputados da Itália decide manter Conte como primeiro-ministro

Grande desafio de primeiro-ministro será agora com a votação no Senado, onde ele ainda busca o apoio necessário para seguir no poder

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2021 | 19h22

ROMA - Por 321 a 259 votos, a Câmara dos Deputados da Itália decidiu nesta segunda-feira, 18, manter o primeiro-ministro Giuseppe Conte no cargo. "A Câmara votou pela confiança nas comunicações do primeiro-ministro, Giuseppe Conte, sobre a situação política", diz uma nota emitida pela Casa. 

A Itália vive uma nova crise política que ameaçava a permanência de Conte no cargo. O abalo no Gabinete ministerial veio após o partido Itália Viva, do ex-premiê Matteo Renzi, desembarcar da coalizão governista - desde então, Conte buscava aliados para se manter no cargo e evitar a convocação de novas eleições.

O voto de confiança na Câmara já era dado como certo. O grande desafio de Conte será na terça-feira, 19, com a votação no Senado, onde ele ainda busca o apoio necessário para seguir no poder. 

Segundo a agência italiana Ansa, a hipótese mais forte no momento é de que o governo consiga uma maioria relativa graças a uma abstenção do Itália Viva, mas isso o deixaria em posição de fragilidade. 

Segundo cálculos da imprensa italiana, Conte teria hoje por volta de 154 votos no Senato (de um total de 320) e precisaria de mais 7 para assegurar maioria absoluta. No entanto, uma eventual abstenção do Itália Viva abaixaria o quórum mínimo e possibilitaria uma maioria relativa. 

Conte discursou durante 55 minutos na Câmara dos Deputados e não poupou críticas indiretas a Renzi, que rompeu com o governo por discordar de suas políticas em relação aos fundos da União Europeia. 

De acordo com Conte, ele foi forçado a ir ao Parlamento para tentar explicar uma "crise sem fundamento". "Essa crise provocou profundo incômodo no país e arrisca produzir danos notáveis, não apenas porque fez os juros subirem, mas também porque atraiu a atenção da imprensa internacional e das chancelarias estrangeiras", disse. 

Advogado de carreira, Giuseppe Conte é primeiro-ministro desde 1° de junho de 2018, inicialmente chefiando uma coalizão entre o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e a ultranacionalista Liga e, a partir de setembro de 2019, em uma coalizão do M5S com legendas de centro-esquerda. /COM ANSA E AP

 

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