AP Photo/Evan Vucci
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Em revés para Trump, Câmara aprova sanções à Rússia por papel em eleição

Parlamentares ampliaram as penalidades contra Moscou e determinaram que algumas delas só poderão ser revogadas depois do sinal verde do Congresso; texto também impõe sanções ao Irã e à Coreia do Norte

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2017 | 18h50
Atualizado 25 Julho 2017 | 20h56

Em uma derrota para Donald Trump, a Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira um projeto que limita o poder do presidente americano de levantar sanções dos EUA contra a Rússia. Com um placar de 419 a 3, os parlamentares ampliaram as penalidades contra Moscou e determinaram que algumas delas só poderão ser revogadas depois do sinal verde do Congresso.

O Executivo se opõe à legislação, sob o argumento de que ela interfere na habilidade do presidente de conduzir a política externa do país. A secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, disse que o presidente aguarda o texto para decidir se o sancionará. 

Eventuais vetos de Trump terão dificuldade de sobreviver ao forte apoio que o projeto obteve de parlamentares governistas e de oposição. As sanções adicionais foram impostas em retaliação à interferência russa nas eleições presidenciais americanas com o objetivo de prejudicar a candidata democrata Hillary Clinton. O alvo são altos funcionários do governo russo, cujos nomes não foram divulgados nesta terça-feira.

 

Trump questiona a conclusão da comunidade de inteligência dos EUA de que Moscou atuou por meio de hackers e desinformação para tentar influir no resultado da votação em seu favor. O presidente vê esse entendimento como uma ameaça à legitimidade de sua eleição. As sanções adicionais também prejudicam os esforços de Trump de se aproximar do presidente russo, Vladimir Putin, elogiado por ele em várias ocasiões.

Em jantar durante encontro do G-20 na Alemanha no início do mês, o presidente americano saiu de sua cadeira e se sentou ao lado de Putin, com quem conversou por meio de um intérprete do Kremlin. Ambos já se haviam reunido por duas horas no início daquele dia.

O texto votado nesta terça-feira também impõe sanções ao Irã e à Coreia do Norte, em razão de seus programas nucleares. “O projeto que acabamos de aprovar com esmagador apoio bipartidário é um dos mais amplos pacotes de sanções da história. Ele aperta os parafusos sobre nossos mais perigosos adversários com o objetivo de manter a América segura”, disse o presidente da Câmara, o republicano Paul Ryan.

O Departamento de Justiça e comitês do Senado e da Câmara investigam se houve conspiração entre integrantes da campanha de Trump e Moscou para influenciar as eleições de 2016. Em maio, o presidente demitiu o então diretor do FBI, James Comey, por estar insatisfeito com sua atuação no caso. Agora, ataca seu secretário de Justiça, Jeff Sessions, por ter se declarado impedido para comandar a investigação, o que abriu as portas para indicação de um procurador independente para o caso.

A ampliação das sanções contra Moscou de maneira unilateral enfrenta resistência de países europeus, que temem seu impacto sobre suas empresas e projetos de energia. Entre eles, está um gasoduto entre a Rússia e a Alemanha, que conta com financiamento de companhias europeias. Moscou também é alvo de sanções impostas em 2014 depois da invasão da Ucrânia e anexação da Crimeia. Durante a campanha eleitoral, Trump sugeriu que poderia levantar as penalidades caso fosse eleito. Com o voto de ontem, essa possibilidade está condicionada à aprovação do Congresso.

Os parlamentares terão 30 dias para analisar os argumentos e proferir uma posição. O texto voltará ao Senado, onde sua aprovação é certa, e seguirá para a mesa de Trump, possivelmente até o fim desta semana.

O Comitê de Justiça do Senado convocou nesta terça-feira Paul Manafort, ex-chefe de campanha Trump, a depor nesta quarta-feira sobre a ingerência russa nas eleições de 2016.

 

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