Susan Walsh/AP
Susan Walsh/AP

Processo de impeachment contra Trump chega ao Senado americano

Até agora, nenhum dos 53 senadores republicanos expressou apoio à remoção do presidente; trata-se do terceiro julgamento político de um líder americano

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2020 | 18h54
Atualizado 15 de janeiro de 2020 | 20h32

WASHINGTON - O Senado dos Estados Unidos recebeu formalmente nesta quarta-feira, 15, o processo de impeachment contra o presidente do país, Donald Trump, passo necessário para o julgamento marcado para começar na próxima terça-feira, 21.

Os "promotores" do impeachment, recém-nomeados pela presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, entregaram as acusações contra Trump ao Senado, depois de uma coreografada procissão pelos corredores do Capitólio.

O envio das duas acusações formais contra o presidente havia sido aprovado algumas horas antes na Câmara, controlada pelos democratas, abrindo caminho para que o terceiro julgamento de impeachment de um presidente americano tenha início.

Ao todo, 228 deputados votaram a favor do envio do processo ao Senado e 193 deputados se manifestaram contrários. Trump é acusado de abuso de poder ao pedir, em telefonema, ao presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, que investigasse o rival político Joe Biden em troca de uma ajuda militar ao país europeu.

O republicano também foi acusado de obstruir a investigação sobre o caso no Congresso, ao bloquear testemunhos e documentos solicitados por parlamentares democratas.

“Estamos aqui hoje para cruzar um limite muito importante para a história americana”, disse a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, no plenário, antes da votação.

A votação também aprovou a indicação de sete parlamentares democratas nomeados pela presidente da Câmara para atuar como promotores no julgamento. O presidente da Comissão de Inteligência da Câmara, Adam Schiff, um adversário de Trump que atuou como promotor federal em Los Angeles por seis anos, foi selecionado para chefiar a equipe de promotores da Câmara no Senado. Trump ainda não revelou sua equipe de defesa. O julgamento será supervisionado pelo presidente da Suprema Corte, John Robert.

Espera-se que o Senado, com 100 cadeiras, absolva Trump, mantendo-o no cargo. Até agora, nenhum dos 53 senadores republicanos expressou apoio a sua remoção – para passar, o impeachment precisaria de dois terços do voto do Senado.

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De qualquer forma, a condenação pela Câmara, no mês passado, permanecerá como uma mancha em seu histórico e o julgamento no Senado, que terá uma ampla cobertura pela imprensa, pode se tornar desconfortável em um momento em que ele busca sua reeleição – a disputa ocorrerá em novembro, tendo Biden como principal nome à candidatura democrata.

Críticas ao processo de impeachment 

Durante uma cerimônia de assinatura na Casa Branca para um acordo comercial na China, Trump atacou o processo de impeachment, que chamou de “embuste”. Pelo Twitter, ele falou em “golpe”. “Aqui vamos nós de novo, outro golpe orquestrado pelos democratas que não fazem nada”, tuitou o presidente segundos depois de Pelosi indicar os parlamentares que vão atuar como promotores no Senado.

A porta-voz da Casa Branca, Stephanie Grisham, disse que “o presidente Trump não fez nada de errado”. "Ele espera ter direito no Senado ao devido processo legal, que a presidente da Câmara Pelosi e os democratas na Câmara negaram, e espera ser completamente inocentado”, disse. / EFE e AFP

 

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