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Câmara dos EUA aprova lei contra chavistas

Obama indica que apoia sanções contra membros do governo venezuelano e irrita Nicolás Maduro

CARACAS, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2014 | 02h01

A Câmara dos Deputados dos EUA aprovou ontem por unanimidade uma lei que obriga o presidente americano, Barack Obama, a impor sanções contra membros do governo venezuelano acusados de violar os direitos humanos de opositores. A iniciativa havia sido aprovada na segunda-feira pelo Senado. Ela bloqueia bens e proíbe a entrada nos EUA de pessoas envolvidas na repressão a protestos.

Obama indicou que assinaria a lei, o que irritou seu colega venezuelano, Nicolás Maduro. Na terça-feira, após a aprovação no Senado, o líder chavista criticou os americanos. "Quem é o Senado dos EUA para sancionar a pátria de (Simón) Bolívar?", questionou o venezuelano durante ato militar no Panteão Nacional, evocando o herói independentista lá sepultado.

"Não aceitamos sanções insolentes imperialistas", afirmou Maduro, arrancando aplausos de uma plateia que incluía o ex-jogador de futebol argentino Diego Maradona. "Querem provocar a Venezuela com sanções e ameaças. Creio, presidente Obama, que se a loucura da via das sanções for imposta, vocês vão se dar mal", disse, declarando que "quem toca a tecla da moral do amor pátrio nos venezuelanos está brincando com a história".

Maduro citou o poeta chileno - e comunista - Pablo Neruda para dizer o que os chavistas farão com o presidente americano se sofrerem sanções dos EUA. "Sairemos das pedras e do ar para morder-te."

Maduro acusou novamente a Embaixada dos EUA em Caracas de interferir nos assuntos da Venezuela e afirmou ter "gravações" que comprovam a tentativa de Washington de corromper funcionários do governo venezuelano.

Reação. "A votação envia um claro sinal aos venezuelanos de que o Congresso dos EUA escuta e sente o seu sofrimento", disse a deputada republicana Ileana Ros-Lehtinen. Para o conselheiro de Segurança Nacional da presidência, Patrick Ventrell, Obama "compartilha as preocupações do Congresso e de outros atores regionais e internacionais sobre a situação da Venezuela". "Não permaneceremos em silêncio diante de ações do governo venezuelano que violam os direitos humanos, as liberdades fundamentais e as normas democráticas", disse.

Um funcionário da Casa Branca, que preferiu não se identificar, confirmou à agência Associated Press que Obama apoia a medida, mas não disse quando ele assinaria a lei. "Esperamos combinar com os congressistas como será o processo de implementação e a continuidade da legislação", afirmou.

As Nações Unidas, que pedem a libertação de políticos e dos ativistas presos durante os protestos que ocorreram na Venezuela no primeiro semestre, estimam que aproximadamente 3,3 mil pessoas foram presas durante as manifestações. A organização denuncia que os presos sofreram maus-tratos, humilhações e tortura por parte dos agentes do governo venezuelano. / EFE e REUTERS

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