Câmara vota sobre reeleição na Colômbia

Deputados deliberam sobre convocação do referendo que permitiria a Uribe obter o terceiro mandato

AP, BOGOTÁ, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

A Câmara dos Representantes da Colômbia começou ontem a votar ontem um projeto de referendo que permitiria ao presidente Álvaro Uribe reeleger-se pela segunda vez em 2010,mas as discussões se estenderam pela madrugada. Para a aprovação do projeto são necessários os votos de 84 dos 166 deputados. O governo acreditava que poderia conseguir 92 votos. Muitos congressistas falavam em algo em torno de 85 e 87 votos. O senador governista Armando Benedetti previa um total de 76 votos. Se a consulta for convocada, os colombianos terão de decidir nas urnas se aceitam ou não uma emenda constitucional ampliando de um para dois o limite de reeleições presidenciais. O projeto passou no Senado na semana passada. Mesmo se for aprovado na Câmara, ainda precisará do aval da Corte Constitucional - algo que pode demorar três meses. "A possibilidade de um terceiro mandato é terrível", disse o deputado Guillermo Rivera, do opositor Partido Liberal. "É terrível para a democracia colombiana que uma pessoa se perpetue no poder." "Com o referendo aprovado, não há dúvida que Uribe será presidente. Ele é um candidato imbatível", afirmou o deputado Roy Barreras, do partido governista Cambio Radical.Uribe nunca disse oficialmente que pretende se candidatar em 2010, mas também não desencorajou seus aliados. Filho de um grande fazendeiro morto pela guerrilha colombiana, Uribe foi prefeito de Medellín e governador de Antioquia, antes de ser eleito presidente pela pela primeira vez em 2002. Dois anos mais tarde, conseguiu a aprovação da primeira reeleição no Congresso, após uma tentativa fracassada de obtê-la por meio de um referendo. Seu segundo mandato teve início em 2006. Durante esse período, seus índices de popularidade chegaram a 92% em julho de 2008, após a operação de resgate de 15 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Hoje, sua aprovação continua alta: 68%. O motivo é o relativo sucesso da guerra às Farc e aos paramilitares, que reduziu o número de sequestros e homicídios no país. OFENSIVAUribe não é o primeiro líder latino-americano a mudar a Constituição para permanecer no poder. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, seu adversário político, conseguiu aprovar as reeleições indefinidas em um referendo no início do ano. Rafael Correa, do Equador, e Evo Morales, da Bolívia, também ampliaram seus mandatos. Os EUA, que nunca viram tais mudanças constitucionais com bons olhos, parecem não fazer exceção a Uribe. Em visita à Casa Branca, ele viu Barack Obama defender que "oito anos no poder são suficientes para um presidente".

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