Michael Kirby Smith/NYT
Michael Kirby Smith/NYT

Camareira que acusou Strauss-Kahn processa jornal por difamação e calúnia

Diário 'The New York Post' publicou textos em que acusa Nafissatou Diallo de 'prostituição'

AE, Agência Estado

05 de julho de 2011 | 15h48

NOVA YORK - A camareira que acusou o ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn de violência sexual abriu um processo nesta terça-feira, 5, por calúnia e difamação contra o jornal The New York Post e contra cinco repórteres.

 

Segundo o processo, o diário e os jornalistas foram processados por conta de matérias recentes nas quais eles afirmam que Nafissatou Diallo trabalhou "como prostituta". O processo foi aberto no Supremo Tribunal Estadual no Bronx, onde ela vive.

 

O documento apresenta apenas suas iniciais, ND. Segundo a petição, o jornal e seus repórteres "maliciosamente, e com descaso pela verdade afirmaram como fato que a autora da ação é uma 'prostituta', 'garota de programa' e 'rotineiramente troca sexo por dinheiro com hóspedes masculinos' do Sofitel de Manhattan".

 

"Todas essas afirmações são falsas e submeteram a autora da ação à humilhação, ao desprezo e à zombaria em todo o mundo", diz o processo. Um porta-voz do Post disse que "nós apoiamos nossa reportagem". O jornal é uma divisão da News Corp., que também é proprietária do Wall Street Journal e da Dow Jones Newswires.

 

Sem evidências

 

Promotores e policiais disseram que investigaram se a mulher havia se envolvido com prostituição no período em que trabalhou no Sofitel e que não descobriram qualquer evidência sobre este fato.

 

Os investigadores disseram que há evidências forenses de que ela manteve relação sexual com Strauss-Kahn. Os advogados do ex-chefe do FMI afirmaram que não houve pagamento e que a relação sexual foi consensual. Os promotores se negaram a falar sobre o processo e os advogados da camareira não comentaram.

 

As matérias em questão, publicadas entre 2 e 4 de julho, foram veiculadas nos dias em que a promotoria divulgou informações de que a mulher, uma imigrante da Guiné de 32 anos, havia prestado falsos testemunhos a eles e aos jurados.

 

Essas informações incluíram sua localização após o suposto ataque, as experiências que ela teve em seu país antes de ir para os Estados Unidos e outros assuntos. Kenneth Thompson, advogado da camareira, disse que, independentemente de seus erros, desde o início "ela descreveu o ataque sexual várias vezes" e com consistência.

 

Thompson não respondeu aos pedidos de comentário. Strauss-Kahn, de 62 anos, que se declarou inocente das acusações, foi liberado da prisão domiciliar por causa das revelações sobre a credibilidade de sua acusadora.

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