Camboja detém ideólogo do Khmer Vermelho por genocídio

Se for julgado, Nuon Chea será o ex-dirigente de maior categoria a ser levado ao tribunal internacional

Efe,

19 de setembro de 2007 | 07h17

A polícia do Camboja deteve nesta quarta-feira, 19, Nuon Chea, considerado o "irmão número dois" do regime do Khmer Vermelho. Ele foi levado de helicóptero para Phnom Penh, onde será julgado por participação no genocídio de 1975 a 1979, com a morte de 1,7 milhão de pessoas.  A Polícia militar e representantes da ONU e do Ministério do Interior foram a Pailin, onde Nuon Chea foi detido em sua casa. Depois, ele foi escoltado de helicóptero até a capital. Depois de ouvir as acusações, Nuon Chea ficará à disposição do tribunal e ficará detido à espera do julgamento. A expectativa é de que as audiências comecem no próximo ano, podendo se estender até 2010. Aos 80 anos, Nuon Chea vivia em liberdade na cidade de Pailin, antigo reduto do Khmer Vermelho no noroeste do Camboja, desde que renunciou à luta armada em troca de uma anistia, em 1998. "Nuon Chea foi levado ao escritório do promotor das Câmaras Extraordinárias dos Tribunais do Camboja (ECCC, sigla em inglês) em aplicação de uma ordem de detenção. Nesta quarta haverá uma audiência oficial na qual ele será informado das acusações", anunciou o tribunal. O ECCC é o nome oficial do tribunal internacional que a ONU e o governo do Camboja organizaram para julgar os crimes cometidos pelos antigos líderes do Khmer Vermelho durante os quase quatro anos em que governaram o país sem piedade. Justiça A detenção de Nuon Chea é a segunda ordenada pelo tribunal internacional. Em julho, os promotores começaram em julho a preparar as acusações por crimes contra a Humanidade, genocídio e outros delitos cometidos durante o regime do Khmer Vermelho. O antigo diretor do centro de detenções e de torturas de Tuol Sleng (S-21), Kang Kek Ieu, conhecido como Duch, foi o primeiro ex-oficial da cúpula da organização extremista acusado e detido nas instalações do ECCC, no mês passado. O Comitê Central do Partido Comunista de Kampuchea, mais conhecido no exterior como Khmer Vermelho, tinha como membros Pol Pot (irmão número um), Ta Mok, San Sen, Khieu Samphan e Nuon Chea. San Sen foi assassinado em 1997 por seus correligionários. No ano seguinte morreu Pol Pot. O general Ta Mok, o último chefe militar da organização, morreu em 2006, na prisão. Restam vivos apenas Nuon Chea, considerado o ideólogo do partido, e Khieu Samphan, que ocupou a chefia do Estado durante o regime do Khmer Vermelho. Segundo um estudo do Centro de Documentação do Genocídio do Camboja, de 2004, sete pessoas deveriam ser julgadas pelo tribunal internacional: Nuon Chea, Ieng Say (ex-ministro de Relações Exteriores), Khieu Samphan, os dirigentes regionais Sou Met e Meah Mut e os já mortos Ta Mok e Kae Pok. Nenhum deles reconheceu os crimes de que são acusados. Nuon Chea criticou o tribunal internacional, que, na sua opinião, "não beneficia o país".

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