, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2011 | 00h00

Os quatro sobreviventes mais graduados do alto escalão do Khmer Vermelho - movimento revolucionário acusado de matar 1,7 milhão de pessoas no Camboja entre 1975 e 1979 - começaram a ser julgados ontem na capital do país, Phnom Penh. Com o ditador Pol Pot morto desde 1998 e seus principais colaboradores já idosos, o julgamento, com aval da ONU, é a última e melhor chance de punir os líderes cambojanos responsáveis pelas mortes.

O ideólogo do Khmer Vermelho, Nuon Chea, de 84 anos, o ex-chefe de Estado Khieu Samphan, de 79, o ex-chanceler Ieng Sary, de 85, e a ex-ministra de Assuntos Sociais Ieng Thitrith, de 79, são acusados de crimes contra a humanidade, crimes de guerra, genocídio, perseguição religiosa, homicídio e tortura. Os quatro negam as acusações.

Durante os anos em que esteve no poder no Camboja, o Khmer Vermelho tentou implementar uma utopia maoista radical. Acabou dizimando um quarto da população cambojana por meio de assassinatos, torturas, negligência médica, fome e exaustão por longas horas de trabalho.

Apesar de os quatro acusados estarem presentes para a audiência judicial de ontem, três deles puderam deixar o tribunal por motivos de saúde. Somente Khieu Samphan permaneceu na sala.

Vítimas. Representantes das vítimas do Khmer Vermelho reclamam da lentidão da Justiça cambojana em julgar os líderes do grupo. A fase de testemunhos e apresentação de provas está prevista para ocorrer em agosto.

"Não podemos julgar fantasmas. Enquanto vítima, desejo a verdade e a justiça", disse a ativista de direitos humanos Theary Sang, que participa do julgamento. Ela não se opôs à saída dos acusados da sala de julgamento, mas afirmou que "seria uma pena" se eles fossem dispensados de dar depoimentos.

O Camboja começou a julgar o Khmer Vermelho em 2006, quando Kaing Guek Eav - que havia comandado a penitenciária de Tuol Sleng - foi condenado a 35 anos de prisão por assassinato e tortura. / AP e REUTERS

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