Camboja prepara o funeral dos 378 mortos em tragédia durante festival

Vítimas ficaram presas em uma ponte que liga a capital cambojana com a Ilha Diamante, durante o Festival da Água, o maior do país

Efe

24 de novembro de 2010 | 02h29

PHNOM PENH - Os parentes dos 378 mortos durante um festival na capital do Camboja se despedirão nesta quarta-feira, 24, de seus entes queridos, enquanto centenas de pessoas ainda buscam seus familiares entre os 755 feridos nos hospitais com a esperança de encontrá-los com vida.

A maioria das vítimas são pessoas jovens que ficaram presas em uma ponte que liga a capital com Koh Pich (Ilha Diamante) durante o Festival de Água, a maior celebração no Camboja.

O hospital Calmette, o maior da capital, está sobrecarregado pela chegada de feridos e corpos, que se amontoam nas salas cobertos com lençóis e toalhas.

Um deles é o de Sopheap, de 21 anos, colocado em uma pequena tenda improvisada onde seus familiares a identificaram. "Ela tinha ido assistir a uma apresentação com suas amigas. Quando vi pela televisão o que havia acontecido, a chamei, mas como não respondeu, comecei a buscá-la nos hospitais", disse uma de suas irmãs, Rum Thearey.

Cheng Sony, que trabalha na ilha e voltava ao continente após terminar sua jornada, estava no centro da ponte quando as pessoas começaram a empurrá-lo.

"Caí no chão e cobri a cabeça com as mãos. Não sei o que mais aconteceu. Tiveram que me tirar de lá, mas não lembrava nada", contou o jovem.

A cambojana Chuop Sokheng foi uma das pessoas que se jogaram na água para não serem esmagadas, teve sorte e não se afogou, mas dois de seus filhos, de 6 e 13 anos, morreram no rio.

O primeiro-ministro do Camboja, Hun Sen, declarou luto nacional na próxima quinta-feira e ordenou que as instituições do Estado icem a bandeira a meio mastro em sinal de luto.

Hun Sen, afirmou que as causas da tragédia ainda não estão claras, e que a Polícia iniciou uma investigação que será dirigida por uma comissão especial.

As autoridades estimaram que cerca de dois milhões de pessoas estiveram no local para celebrar a última jornada do festival, que dura três dias e reúne, nas margens do rio Tonle Sap, uma multidão para homenagear a água e se despedir das monções.

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