Camboja retoma julgamento de genocídio

Dois líderes do regime que governou o país na década de 1970 podem voltar a ser considerados culpados por morte de 1,7 milhão

O Estado de S. Paulo

18 de outubro de 2014 | 02h03

PHNOM PENH - A Justiça do Camboja retomou ontem o julgamento de dois líderes do Khmer Vermelho, regime que governou o país na década de 70. A promotoria, que tenta uma condenação pelo genocídio de vietnamitas e da minoria muçulmana sham, afirmou que aproximadamente 1,7 milhão de pessoas morreram em razão das condições desumanas às quais foram submetidas.

"Estamos aqui em razão de milhões de cambojanos que não sobreviveram ao regime que, em 3 anos, 8 meses e 20 dias, só trouxe sofrimento, aflição, dor e morte", disse a promotora Chea Leang.

Em agosto, Nuon Chea, de 88 anos, conhecido como "Irmão Número 2", e o ex-presidente Khieu Samphan, de 83 anos, foram considerados culpados pelos crimes contra a humanidade e sentenciados à prisão perpétua. Os dois apelaram da condenação.

Ontem, Samphan afirmou que era injusto eles enfrentarem novo julgamento enquanto o recurso da primeira sentença não for julgado. Já Chea disse que pelo menos quatro juízes deveriam ser substituídos por conduta discriminatória. Os dois ameaçaram boicotar as próximas sessões.

O tribunal, apoiado pelas Nações Unidas, adotou medidas para apressar o caso e evitar que os réus, de idade avançada, morram antes que o julgamento termine.

Além da acusação de genocídio contra minorias, em um segundo momento os dois serão julgados por estupros e casamentos forçados. Cerca de 300 sobreviventes acompanharam o julgamento./AP

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