Jae C. Hong/AP
Jae C. Hong/AP

Camelôs lucram com imagem do presidente durante a convenção

De livros a cortadores de unha, Obama está por toda parte; ambulantes aproveitam para faturar com paixão dos militantes

Denise Chrispim, enviada especial a Charlotte, EUA,

07 de setembro de 2012 | 03h00

CHARLOTTE, EUA - Em camisetas, livros, broches, cortadores de unha e quinquilharias de todo tipo, a imagem do presidente Barack Obama é explorada à exaustão na convenção democrata, na Carolina do Norte. Vindos de várias partes dos EUA, camelôs unem o esforço para reeleger o presidente com a vontade de tirar um trocado a mais no fim do mês.

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"Vim fazer dinheiro e apoiar Obama", disse David Wilson, de Charlotte, que vendeu, em dois dias, quase 200 camisetas a US$ 10 cada. "Estou ganhando mais do que como pintor de casas."

Qim Thomas, de Pittsburg, aproveitou a convenção para divulgar sua marca registrada, a DQ - de "Don't Quit" (não desista). O símbolo foi criado por ela durante a recuperação de um grave acidente de carro, em 1996. Assim como Wilson, Qim vendeu cerca de 200 camisetas a US$ 10 cada uma. O sobrinho Robert Thomas a ajudava nas vendas.

"Desenvolvi essa marca para encorajar as pessoas do mundo todo a enfrentar um desafio, como hoje o presidente Obama. Mas estou feliz em ver minha marca sendo espalhada por todo o país", afirmou Qim.

Ao lado dela, o fotógrafo Raymond Holman expunha pôsteres com uma foto de Obama que ele tirou durante um comício na Pensilvânia, em 2008. Holman conseguiu um ingresso para assistir ao discurso do presidente. No entanto, com a mudança da cerimônia de um estádio para um ginásio (mais informações nesta página), perdeu seu lugar. O fotógrafo, porém, não parecia desanimado - vendeu em um dia 30 fotos a US$ 20 cada.

Os camelôs foram atraídos não apenas por Obama, mas pela massa de mais de 70 mil pessoas interessadas em ouvir o presidente em seu mais importante discurso desta eleição. Na convenção republicana, que atraiu cerca de 40 mil pessoas a Tampa, na semana passada, não havia o colorido das barracas e de produtos com o rosto do candidato Mitt Romney. Apenas alguns vendedores ofereciam broches.

Em Charlotte, o evento democrata animou a economia local. Hotéis triplicaram o preço das diárias, os restaurantes estenderam horários de funcionamento e o comércio vendeu mais.

Robert McCallum é pedreiro e cuida de pessoas carentes em uma pequena cidade do Estado de Washington. Desde que conheceu um fabricante de broches em estilo hippie na convenção democrata de 2008, em Denver, segue os comícios de Obama para apoiar o presidente e vender os produtos. "Não faço ideia de quantos já vendi aqui. US$ 5 por broche. Mas, se você levar quatro, um sai de graça."

O lucro e a reeleição do presidente não é o objetivo de todos do lado de fora da convenção. David Reynal, da Flórida, e Sacred Servant Sankon, da Carolina do Norte, nada vendiam, a não ser - e no sentido metafórico - suas ideias.

Reynal distribuía ontem cédulas falsas de US$ 1 milhão, emitidas pelo "Departamento de Assuntos Eternos", para chamar a atenção sobre a vida após a morte. "Meu foco não é o partido, mas preparar as pessoas para enfrentar a eternidade", afirmou o funcionário municipal.

Diante de uma mesa coberta, onde deixava um abaixo-assinado, Sankon defendia a indenização às famílias de antigos escravos. "Não à representação, não aos impostos!", gritava ela aos que passavam.

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