Cameron condena violência após anúncio de planos de reajuste

Estudantes depredaram sede do Partido Conservador em Londres; polícia assume despreparo

Associated Press

11 de novembro de 2010 | 10h00

Estudantes invadem sede do Partido Conservador em Londres.

 

LONDRES - O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, condenou nesta quinta-feira, 11, os protestos violentos que tomaram conta de Londres na quarta-feira depois de o governo anunciar planos para triplicar as mensalidades das universidades do país. A polícia londrina também admitiu estar despreparada para lidar com as manifestações.

 

Cameron disse que as ações de protesto, realizadas contra a sede de seu partido, o Conservador, "não são aceitáveis". O premiê ainda disse esperar que "toda a força da lei seja usada contra os vândalos".

 

"Em toda a nossa história, as pessoas marcharam e protestaram, e isso faz parte da nossa democracia. O que não é parte do nosso país é esse tipo de violência e desrespeito às leis. Não é certo. Não é aceitável, e espero punições", disse o premiê.

 

Mais de 50 mil estudantes e simpatizantes da causa marcharam em Londres na quarta contra os planos para aumentar o custo das universidades para até US$ 14 mil ao ano, o triplo da taxa atual. Foram os primeiros grandes protestos contra as políticas de austeridade do governo de Cameron

 

Os manifestantes, em sua maioria jovens em idade universitária, entraram em conflito com a polícia em rente à sede do Partido Conservador e destruíram parte do prédio, pichando-o e gritando contra os planos anunciadas pelo governo. Segundo as autoridades, 14 pessoas ficaram levemente feridas e 35 foram detidas.

 

O chefe da polícia metropolitana, Paul Stephenson, disse que o órgão de segurança falhou ao prever a onda de violência e que isso se converteu em uma "decepção". Ele disse que apenas 225 oficiais estavam ativos para lidar com os manifestantes. "Certamente estamos determinados a investigar o caso", disse.

 

Prudência

 

Nick Clegg, vice-primeiro-ministro, reconheceu que deveria ter siso "mais prudente" ao prometer durante sua campanha que o custo das universidades não sofreria aumentos. "Anteriormente, apoiava uma política que agora que estamos no governo, damos conta que simplesmente não podemos colocar em prática", disse.

 

O vice-premiê, porém, disse que não ignorará o problema "escondendo a cabeça na areia" e insistiu que as políticas do governo ajudarão as famílias de baixa renda a ingressas no ensino superior.

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