Mahmud Turkia/AFP
Mahmud Turkia/AFP

Cameron e Sarkozy devem fazer 1ª visita à Líbia sob regime anti-Kadafi

Líderes da Grã-Bretanha e França são esperados em Trípoli por líderes do CNT e podem viajar para Benghazi, leste do país, onde as revoltas começaram em fevereiro; autoridades do governo de facto reuniram-se ontem com o subsecretário de Estado dos EUA

, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2011 | 00h00

PARIS

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy devem visitar a Líbia hoje, na primeira visita oficial de líderes de outros países, desde que combatentes anti-Muamar Kadafi invadiram Trípoli. França e Grã-Bretanha lideraram a ofensiva aérea da Otan contra as forças de Kadafi, o que abriu caminho para os rebeldes instalarem o Conselho Nacional de Transição (CNT) como governo provisório.

Mantida em segredo pela diplomacia dos dois países europeus, a viagem foi confirmada pelo CNT. Cameron e Sarkozy serão acompanhados do filósofo francês Bernard-Henri Levy, que defendeu a revolução líbia e teria convencido Sarkozy a apoiar a rebelião. O trio é esperado em Trípoli por líderes do CNT e há planos de uma visita a Benghazi, cidade do leste da Líbia onde as revoltas começaram, em fevereiro.

Fontes da polícia francesa informaram que pelo menos 160 oficiais foram deixados a postos para o voo noturno que levaria Sarkozy à Líbia. A volta para a França está prevista, segundo eles, para amanhã.

Os assessores de Cameron e Sarkozy não quiseram comentar sobre a viagem que, aparentemente, não seria anunciada com antecedência.

Na conferência internacional realizada no início de setembro, Sarkozy declarou que visitaria a Líbia assim que o CNT se instalasse no poder.

Desde que os rebeldes capturaram a capital líbia, no dia 23, Jeffrey Feltman, subsecretário de Estado dos EUA para assuntos do Oriente Médio, foi o funcionário americano de mais alto escalão a visitar Trípoli, ontem. Ele esteve na capital para um encontro com líderes do CNT.

O Conselho de Segurança da ONU deve votar nos próximos dias uma resolução para criar uma missão da paz, sob a bandeira das Nações Unidas, na Líbia.

A viagem de Sarkozy e Cameron ocorrerá num momento em que forças leais a Kadafi continuam a atacar os combatentes do CNT em áreas como Bani Walid, um dos últimos bastiões do ditador deposto.

Acusado de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional, Kadafi permanece escondido. Parentes que fazem parte de seu círculo próximo, entre eles um de seus filhos, fugiram para o vizinho Níger.

Num áudio colocado no ar por um canal de televisão com base na Síria, Kadafi fez um apelo à comunidade internacional para que ajude a cidade onde nasceu, Sirte, cercada por forças do novo governo.

Milicianos leais ao CNT disseram que forças pró-Kadafi formaram um cordão de tanques em torno de Sirte, para evitar um ataque à cidade, mas impedindo também a fuga de civis. Segundo os rebeldes, as forças de Kadafi tentaram, antes, persuadir a população de Sirte a acreditar que os soldados do novo governo eram terroristas. Os kadafistas ainda controlam uma faixa da costa de Sirte e alguns oásis do Saara. / AFP e AP

Impasse diplomático do CNT

Países que reconhecem o CNT: EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia, China, Turquia, Itália, Alemanha, Espanha, Catar, Jordânia, Japão, Tunísia, Egito, Marrocos, Bahrein, Níger e Colômbia

 

Ainda não reconhecem: Brasil, Índia, México, Suécia, Suíça, Argélia, Irã, Quênia, Síria, Iêmen, Arábia Saudita

 

Não vão reconhecer: Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador, Nicarágua, Zimbábue, São Vicente e Granadinas, Antígua e Barbuda, Dominica

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