Damir Sagolj/Reuters
Damir Sagolj/Reuters

Cameron e Suu Kyi defendem suspensão de sanções a Mianmar

Primeiro-ministro britânico disse que vai pressionar para que todas restrições da UE sejam retiradas, com exceção do embargo de armas

13 de abril de 2012 | 15h01

YANGON - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, e a líder da oposição de Mianmar, Aung San Suu Kyi, apoiaram nesta sexta-feira a suspensão das sanções sobre o país, em uma mudança brusca na posição que pode atrair uma enxurrada de investimentos para a nação rica em recursos.

Cameron, o primeiro líder ocidental a visitar Mianmar em décadas, e a ganhadora do Prêmio Nobel Suu Kyi disseram durante uma entrevista coletiva conjunta em Yangon que as sanções deveriam ser suspensas, mas não retiradas por completo, para pressionar o governo civil a continuar com suas reformas.

Suu Kyi e a Grã-Bretanha têm sido os maiores defensores das sanções, que os críticos afirmam serem as responsáveis por manter 60 milhões de moradores de Mianmar na pobreza.

"Acho que é o momento certo de suspender, em vez de retirar as sanções", disse Cameron. "Isso nos permite colocá-las de volta no lugar."

Os comentários de Cameron, o primeiro premiê

britânico a visitar Mianmar desde que o país se tornou independente da Grã-Bretanha em 1948, foram feitos 10 dias antes da revisão anual das sanções da União Europeia, que serão debatidas por todos os 27 Estados membros em Bruxelas.

Ele disse nesta sexta-feira que vai pressionar para que todas as sanções da UE sejam retiradas nessa reunião, com exceção de um embargo de armas.

As sanções da UE, que são menos rigorosas do que as dos Estados Unidos, incluem congelamento de ativos, proibição de venda de armas e investimento ou comércio relacionado com madeira ou mineração de metais e pedras preciosas. Elas não proíbem o investimento em outros setores.

As restrições também impedem o acesso de Mianmar ao Sistema de Preferências Generalizadas, que dão privilégios comerciais aos países mais pobres, mas diplomatas da UE afirmam que mudar isso leva tempo.

O apoio de Suu Kyi à flexibilização temporária das sanções tem um enorme peso devido ao seu prestígio internacional, com muitos diplomatas ocidentais admitindo que ela há muito tempo tem uma grande influência sobre as políticas deles em relação a Mianmar.

Mais cedo, Cameron se reuniu com o presidente Thein Sein e pediu a libertação de todos os presos políticos, que ele faça as pazes com os rebeldes étnicos e convença os radicais de seu gabinete e do partido de que as reformas eram o melhor caminho a seguir.

Também conhecida como Birmânia, Mianmar tem sido durante anos o alvo de sanções ocidentais por causa de abusos de direitos humanos. Após a conquista da independência -- em grande parte devido aos esforços de Aung San, pai falecido de Suu Kyi -- um golpe em 1962 levou a 49 anos de regime militar ininterrupto e brutal.

Isso acabou há um ano após a transferência para o governo quase civil de Thein Sein com ex-generais, uma hegemonia agora em risco após a Liga Nacional para a Democracia (NLD) de Suu Kyi conquistar 43 de 45 cadeiras no parlamento nas eleições de 1o de abril.

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