Cameron exige que Argentina respeite referendo das Malvinas

Só 3 dos 1.672 ilhéus que votaram entre domingo e segunda-feira rejeitaram a soberania britânica; Argentina rechaça votação

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2013 | 10h12

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, pediu à Argentina que respeite o resultado do referendo nas Ilhas Malvinas - "Falkland", para a Grã-Bretanha -, que decidiu manter o arquipélago como um território britânico ultramarino. Buenos Aires já havia deixado claro que não reconhece a validade jurídica da votação realizada no domingo e na segunda-feira. E a presidente Cristina Kirchner qualificou a consulta popular de "uma paródia". Dos 1.672 eleitores do arquipélago, apenas 3 votaram contra a soberania britânica.

Segundo Cameron, os kelpers - como são chamados os ilhéus - "não poderiam ter sido mais claros: querem continuar sendo britânicos e esse ponto de vista deveria ser respeitado por todo o mundo, incluindo a Argentina". Ele completou que "as Ilhas Falkland podem estar a muitos quilômetros de distância, mas são britânicas da cabeça aos pés e assim querem seguir".

O governo argentino qualificou o referendo de "ilegal" e avisou que "nada mudará a reivindicação argentina pela soberania" das Malvinas. A embaixadora da Argentina em Londres, Alícia Castro, disse que o referendo "é uma manobra publicitária que expressa a debilidade da posição da Grã-Bretanha". Em entrevista a uma rádio de Buenos Aires, Castro ressaltou que, "diferentemente de outros casos de colonização, esse referendo não foi convocado pelas Nações Unidas, nem conta com sua aprovação ou supervisão".

A embaixadora argumentou que a Argentina disse entender a tentativa dos kelpers de "reafirmar sua identidade". "Eles são britânicos e a lei britânica os reconhece como tais. A Argentina não tenta mudar sua identidade e seu modo de vida, mas o território que habitam não é britânico. E, portanto, eles não têm o direito de decidir sobre o destino de nosso território ou resolver a controvérsia de soberania com um referendo", concluiu.

Em 1982, Grã-Bretanha e Argentina foram à guerra pela posse do ermo e gelado arquipélago sul-americano. Sob o comando de Leopoldo Galtieri, a junta militar de Buenos Aires lançou um ataque-surpresa e ocupou as Malvinas. A reação da Grã-Bretanha, sob o governo da premiê conservadora Margareth Thatcher, foi dura: a maior força naval britânica desde a 2.ª Guerra foi deslocada ao extremo sul do Continente Americano. Atualmente, o governo Cristina tenta fazer uma campanha diplomática mundo afora pela posse das Malvinas.

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