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John Stillwell/AFP
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Cameron foca em segurança nacional para atacar Estado Islâmico na Síria

Premiê pede a deputados que autorizem bombardeios da Grã-Bretanha contra grupo jihadista; objetivo é ‘atingir o coração’ da organização

O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2015 | 16h49

LONDRES - O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, focou em segurança nacional para pedir aos deputados britânicos que autorizem bombardeios do país contra o Estado Islâmico (EI) na Síria, com objetivo de "atingir o coração" da organização jihadista.

Cameron revelou nesta quinta-feira, 26, uma ampla estratégia, política e militar, para combater a ameaça do grupo jihadista após os atentados de Paris, e afirmou que o plano é "possível", apesar de requerer "paciência e perseverança".

"Se não for agora, quando será?", perguntou Cameron aos deputados na Câmara dos Comuns, após enviar ao Comitê das Relações Exteriores do Parlamento o plano de 36 páginas elaborado para derrubar o grupo terrorista e trabalhar para apoiar uma transição política na Síria que coloque um fim na violência civil.

Em seu extenso pronunciamento, o primeiro-ministro argumentou que há uma justificativa legal para ampliar os bombardeios britânicos contra o EI do Iraque à Síria, por razões de segurança e pelo voto do Conselho de Segurança da ONU na semana passada, que aprovou que seus membros combatam os jihadistas.

Cameron reconheceu que os ataques aéreos não destruirão o EI, mas garantiu que ajudarão a diminuir a estrutura logística do grupo e serão parte vital da estratégia contra os radicais.

O líder conservador procura convencer os deputados a apoiarem os bombardeios na Síria, embora tenha afirmado que só pedirá que a extensão da operação seja votada se tiver certeza da vitória, porque considera que uma derrota será um "golpe de publicidade" para os seguidores do EI.

"A assessoria militar, a recomendação diplomática e de segurança dizem que os riscos de uma falta de ação são maiores", explicou Cameron, cujos argumentos foram recebidos com cautela pelo Partido Trabalhista, maior grupo de oposição.

O líder trabalhista, Jeremy Corbyn, partidário de uma solução política na Síria, perguntou a Cameron, considerando as conhecidas consequências das intervenções em países como o Iraque e a Líbia, se os bombardeios na Síria podem ter o mesmo resultado. Corbyn também questionou se uma ofensiva aérea não poderia aumentar a ameaça e estender a campanha terrorista.

Em seu pronunciamento na Câmara dos Comuns, o primeiro-ministro negou que a Grã-Bretanha possa ser vítima de atentados similares aos de Paris caso se una à coalizão internacional que bombardeia a Síria porque a ameaça contra o país já é por si só "muito alta", explicou.

Nos últimos 12 meses, disse Cameron, forças de segurança britânicas impediram pelo menos sete atentados terroristas, vinculados diretamente ao EI ou a seus simpatizantes.

"Uma coisa é clara: a ameaça contra nossos interesses e nossa gente é tal que não podemos nos permitir ficar de lado e não atuar. A única maneira de lidar com essa realidade é encarar agora a ameaça que enfrentamos", reiterou Cameron.

No entanto, o primeiro-ministro avaliou que a luta contra os jihadistas só será encerrada quando houver um novo governo sírio, sem a presença do atual presidente, Bashar Assad, e que seja representativo de toda a população do país.

"A razão para atuar é a ameaça muito direta que o EI representa para nosso país e nossa forma de vida. Eles já mataram reféns britânicos, o pior ataque terrorista contra os britânicos desde os ataques de Londres de 7 de julho de 2005", acrescentou o primeiro-ministro, em referência ao atentado contra um hotel da cidade de Sousse, na Tunísia.

"Não tenho dúvida que é de interesse nacional detê-los. E detê-los significa tomar medidas na Síria porque é em Raqqa onde (o EI) tem sua sede", insistiu.

Cameron, que nesta semana se reuniu com o presidente da França, François Hollande, argumenta que a série de atentados perpetrados no dia 13 em Paris, nos quais pelo menos 130 pessoas morreram e mais de 350 ficaram feridas, torna necessário acelerar a decisão sobre os bombardeios. /EFE

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