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Cameron participa de última sessão de perguntas ao primeiro-ministro antes de deixar o cargo

Atual premiê é questionado por ações de seu governo na Casa dos Comuns, onde a futura premiê, Theresa May, foi recebida com aplausos

O Estado de S. Paulo

13 Julho 2016 | 08h38

LONDRES - David Cameron participa nesta quarta-feira, 13, de sua última sessão de perguntas ao primeiro-ministro na Casa dos Comuns antes de deixar o cargo e defende as medidas adotadas no país sob seu governo. Após a sessão, o premiê demissionário deve se reunir com a rainha Elizabeth II e renunciar formalmente. 

A futura primeira-ministra, Theresa May, primeira mulher a ocupar o cargo desde a dama de ferro, Margaret Thatcher, foi recebida com muitos aplausos nesta quarta ao entrar na Casa dos Comuns. Após o encontro de Cameron com a rainha, a monarca convidará May, de 59 anos, para formar um novo governo.  

Cameron participou de sua última reunião de gabinete na terça-feira 12 após seis anos como primeiro-ministro britânico e encontrou sua sucessora. May homenageou Cameron, que foi descrito pelos ministros como "emotivo", e depois posou para fotos nos degraus da residência oficial, no número 10 da Downing Street.

O fim de Cameron chegou mais cedo do que o esperado após as dramáticas reviravoltas na escolha de quem iria substituí-lo, levando à sua rápida saída do poder em menos de três semanas após a votação da nação para deixar a União Europeia.

May já está sob pressão da liderança do bloco para estabelecer um prazo para o Brexit. Esses líderes alertam que uma demora poderia prolongar os prejuízos em um contexto de incerteza econômica. "Isso é o que penso que muitas pessoas esperam, torcem e pedem", disse o chefe da Economia da Comissão Europeia, Pierre Moscovici, em Bruxelas.

Enquanto isso, o porta-voz de Jean-Claude Juncker insistia em que o chefe da Comissão Europeia "poderia lidar" com as negociações com May. No domingo, a premiê alertou que Juncker estava prestes a descobrir o quão "difícil" ela poderia ser.

Em uma visita à sede do governista Partido Conservador, que ela agora dirige, May fez um apelo por unidade na saída do Reino Unido do Brexit. "Agora, mais do que nunca, precisamos trabalhar juntos para realizar o Brexit, para construir um país que trabalhe para todos e para realmente unir nosso partido e nossa nação."

Theresa May rejeitou uma convocação de eleições gerais antecipadas para assegurar seu mandato pessoal. "Vamos redobrar nossos esforços. E vamos ter certeza de que faremos um bom uso desse tempo, para construir o suporte que precisamos para o nosso país em quatro anos, e não apenas vencer, mas conquistar uma grande vitória", disse.

Mudança. Enquanto Cameron visitava uma escola aberta por professores em 2012 para destacar uma das maiores reformas feitas por seu governo, um caminhão de mudança chegava a Downing Street. Mas uma figura-chave que continuará em Downing Street, é Larry, o gato, confirmou o oficial do gabinete.

Cameron anunciou que deixaria o cargo após a derrota da campanha pelo "Remain", que defendia a permanência do Reino Unido na UE, no referendo de 23 de junho.

May, ministra do Interior, foi declarada a nova líder dos Conservadores após a ministra de Energia, Andrea Leadsom, sua única adversária para o cargo, ter retirado a candidatura.

Oposição. A terça-feira se tornou um dia marcante para o principal opositor, o Partido Trabalhista. Seu líder Jeremy Corbyn enfrenta um desafio de liderança com Angela Eagle, após perder a confiança de pelo menos 75 de seus deputados.

O Comitê Executivo Nacional do partido estava decidindo a portas fechadas as incumbências de Corbyn, assim como Eagle, para assegurar o apoio de 20% dos deputados trabalhistas e membros do Parlamento Europeu para ter o nome dele na liderança da eleição.

As regras do partido são ambíguas, mas os advogados para o Comitê ameaçaram a Alta Corte, caso o nome de Corbyn não seja automaticamente colocado na disputa. Eagle pediu a Corbyn que "controle" seus partidários, depois que um tijolo foi jogado contra a janela de seu gabinete. Corbyn pediu calma e condenou a violência e a intimidação na corrida pela liderança. /AFP

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