Cameron pede que escoceses não separem 'família de nações'

Premiê britânico viajou para a Escócia para fazer comícios pelo 'não' no referendo sobre a independência do país que ocorre dia 18

O Estado de S. Paulo

10 de setembro de 2014 | 12h15

EDIMBURGO/LONDRES - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, fez um apelo aos escoceses nesta quarta-feira, 10, para que não destruam a "família de nações" britânica. O premiê faz uma visita à Escócia para tentar conter o forte e repentino crescimento do apoio à separação do país da Grã-Bretanha, que será decidida em um referendo de independência no dia 18.

Em um sinal de novo pânico para a elite governante britânica sobre o destino da união de países, que já dura 307 anos, Cameron e o líder da oposição Ed Miliband cancelaram suas sessões semanais de perguntas e respostas no Parlamento para discursar em eventos separados na Escócia.

"Eu ficarei arrasado se essa família de nações for dilacerada", disse Cameron, falando num edifício no centro de Edimburgo. O primeiro-ministro, cujo cargo ficará em risco caso o país perca a Escócia, também fez um alerta: "Se a Grã-Bretanha for desmembrada, será desmembrada para sempre."

"Isso é totalmente diferente de uma eleição geral. Essa não é uma decisão sobre os próximos cinco anos, mas uma decisão sobre o próximo século", acrescentou Cameron, que até agora havia ficado ausente do debate sobre a independência da Escócia por acreditar que sua militância em políticas de centro-direita não seriam os maiores atrativos para conquistar os escoceses, que elegeram apenas um parlamentar conservador entre 59 em 2010.

Dada a pouca popularidade dos Conservadores na Escócia, a viagem de Cameron está cercada de perigos: se os escoceses votarem pela independência, Cameron será considerado culpado pouco antes das eleições nacionais planejadas para maio de 2015.

Ações. Cameron, Miliband e o lider do partido Liberal Democrata, Nick Clegg, todos ingleses, visitaram a Escócia. Eles realizaram comícios em todas as grandes cidades, cercados de partidários com cartazes pelo "não".

O líder nacionalista escocês Alex Salmond disse que as visitas eram um sinal de pânico que apenas ajudaria a causa do "sim". "Se eu achasse que eles fossem vir de ônibus, eu enviaria a passagem para eles", disse Salmond, descrevendo Cameron como o líder conservador mais impopular da história entre os escoceses e Miliband como o líder trabalhista que desperta menos confiança.

Diversas pesquisas de opinião mostraram grande apoio para a independência da Escócia nas últimas semanas, preocupando investidores e trazendo à tona o maior desafio interno da Grã-Bretanha desde a independência irlandesa há quase um século.

Após um possível voto pela independência, a Grã-Bretanha e a Escócia passariam por 18 meses de conversações sobre como dividir tudo, desde o Mar do Norte e a libra esterlina à filiação à União Europeia e a base submarina nuclear britânica de Faslane. / REUTERS

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