Cameron pressiona aliados sobre entrada da Turquia na União Europeia

Premiê critica França e Alemanha e defende participação de turcos na questão iraniana

Agência Estado e Associated Press

27 de julho de 2010 | 09h35

Premiês David Cameron e Recep Tayyip Erdogan se encontram em Ancara. 

 

ANCARA - O primeiro-ministro do Reino Unido, James Cameron, defendeu nesta terça-feira, 27, a entrada da Turquia na União Europeia e disse que que o mundo precisa da ajuda de Ancara para fazer com que o Irã preste atenção nas preocupações internacionais a respeito de seu programa nuclear.

 

O premiê ainda criticou o ataque israelense contra uma flotilha que se dirigia para a Faixa de Gaza com ajuda humanitária em 31 de maio e que acabou com a morte de nove ativistas que estavam a bordo de um navio turco.

 

A visita no início do mandato sinaliza o reconhecimento do Reino Unido de que a Turquia é um aliado importante numa região propensa a conflitos. Em 2009, o presidente dos EUA, Barack Obama, viajou para o país - o único membro muçulmano da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) - para melhorar a parceria entre as duas nações, apesar das diferenças de opinião em questões polêmicas.

 

Cameron disse que o Reino Unido apoia a entrada da Turquia na União Europeia, apesar dos temores de que o país esteja evitando algumas políticas ocidentais. A Turquia enfrenta oposição para sua entrada no bloco principalmente da França e da Alemanha. "Quando penso sobre o que a Turquia tem feito para defender a Europa como aliada da Otan e o que a Turquia está fazendo hoje no Afeganistão, junto com nossos aliados europeus, fico irritado com o fato de que seu progresso na direção de tornar-se membro da União Europeia possa ser frustrado da forma como vem acontecendo."

 

Cameron criticou os aliados e acusou Paris e Berlim de usar dois pesos e duas medidas ao pedir que os turcos defendam a Europa como membro da Otan ao mesmo tempo em que os impedes de fazer parte do bloco econômico.

 

Oriente Médio

 

A forte referência de Cameron ao episódio com a flotilha deve agradar seus anfitriões, embora ele diga que a investigação israelense sobre o incidente deva ser rápida e transparente. Essa opinião difere da postura pública turca, que defende que o inquérito deveria ser internacional. "O ataque israelense contra a flotilha que se dirigia para Gaza foi completamente inaceitável", disse Cameron. Sobre o bloqueio de Israel ao território palestino, ele afirmou que "Gaza não pode e não deve continuar a ser um campo de prisioneiros".

 

Cameron, por fim, defendeu a participação de Ancara nas negociações com o Irã, dizendo que a localização geográfica da Turquia deu ao país uma condição de peça-chave no diálogo do Ocidente com o Oriente.

 

Na segunda-feira, a União Europeia e o Canadá impuseram novas sanções contra o Irã, cujo alvo são os setores de comércio exterior, bancário e de energia. O objetivo é interromper o programa nuclear do país muçulmano. As sanções europeias também colocaram as empresas de transporte naval e aéreo numa lista negra.

Tudo o que sabemos sobre:
Reino UnidoTurquiaCameronvisitaIrã

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.