Kirsty Wigglesworth/AP
Kirsty Wigglesworth/AP

Cameron quer propor plebiscito sobre independência à Escócia

País faz parte do Reino Unido desde 1707; votação deve ocorrer em até 18 meses

Efe

09 de janeiro de 2012 | 18h28

LONDRES - O primeiro-ministro do Grã-Bretanha, David Cameron, quer propor ao premiê escocês, Alex Salmond, a convocação de um plebiscito sobre a independência da Escócia, que seria realizada nos próximos 18 meses.

 

Segundo revela nesta segunda-feira, 9, o jornal britânico The Guardian, Cameron espera fazer a proposta nesta semana ao político nacionalista escocês. A consulta será vinculativa e só poderá contar com duas possibilidades: permanecer ou sair do Reino Unido. Desta forma, o primeiro-ministro britânico quer impedir que haja uma terceira pergunta sobre a opção de a Escócia contar com uma autonomia maior.

 

O Partido Nacional Escocês (SNP) de Salmond quer convocar um plebiscito sobre a independência em 2014 e considera que é o governo autônomo que deve decidir a data e o conteúdo das perguntas que a consulta conterá, indica a "BBC".

 

Em declarações concedidas nesta segunda à imprensa britânica, Cameron afirmou que a incerteza gerada sobre a possibilidade da independência escocesa está prejudicando a economia do país. "Eu quero que o Grã-Bretanha se mantenha unida. É uma associação que tem um êxito fantástico. Acho que a Inglaterra e Escócia estão melhor dentro do reino. Mas não podemos interferir se uma região quer fazer a pergunta: 'Estamos melhor fora?'. Não podemos nos colocar no meio disso, mas acho que os escoceses merecem uma pergunta justa, clara e decisiva", disse o premiê à Sky News.

 

A imprensa britânica afirma que Salmond prefere 2014 porque nesse ano serão completados 700 anos da chamada Batalha de Bannockburn, uma importante vitória escocesa frente à Inglaterra nas guerras de independência.

 

Um porta-voz do governo autônomo escocês apontou que não permitirão que Londres estabeleça a forma como será realizado um eventual plebiscito sobre a independência. "Quanto mais o governo do britânico intervir, mais forte será o apoio à independência, e vimos essa tendência desde as eleições autônomas do ano passado", acrescentou a fonte.

 

Em declarações concedidas nesta segunda-feira à "BBC", a número dois do governo autônomo escocês, Nicola Sturgeon, disse que os escoceses farão o possível para impedir que Londres fixe o calendário da consulta e pediu aos demais partidos do país que não intervenham. Nicola recomendou aos conservadores, trabalhistas e liberal-democratas que "não tentem intervir em decisões que competem ao governo escocês e ao povo escocês".

 

Enquanto Salmond se refere sempre à independência, os grupos contrários à separação escocesa da Grã-Bretanha ainda não contam com um político destacável que faça campanha contra a posição do primeiro-ministro. De acordo com o Guardian, recentes pesquisas de opinião indicaram que apenas uma minoria é a favor da independência escocesa, apesar de haver uma tendência de aumento do apoio.

 

Espera-se que o governo de coalizão entre conservadores e liberal-democratas publique em breve um documento no qual argumentará que, por razões legais, o Parlamento escocês não poderá convocar um plebiscito vinculativo sem o acordo do central de Westminster, motivo pelo qual proporá um acordo de compromisso entre Londres e Edimburgo. Inglaterra e Escócia estão unidas através do chamado Tratado de União de 1707. 

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