Cameron quer que todos que cometeram delitos sejam processados

Em sessão no Parlamento, premiê disse seu ex-chefe de imprensa também deverá responder por escândalo

Efe

13 de julho de 2011 | 11h33

LONDRES - O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, pediu nesta quarta-feira, 13, que todos os que cometeram delitos no escândalo das escutas do "News of the World" sejam processados, inclusive se esse é o caso de seu ex-chefe de imprensa, Andy Coulson.

 

Na sessão semanal de perguntas ao primeiro-ministro na Câmara dos Comuns do Parlamento, Cameron admitiu que Coulson deveria ser processado se ficar provado que mentiu quando afirmou não saber nada sobre a espionagem jornalístico quando era diretor do dominical.

 

O escândalo dos grampos comoveu o Reino Unido ao vir à tona que os telefones de até 4 mil pessoas - entre ricos, famosos e familiares de vítimas de delitos e de terrorismo - foram grampeados sob a justificativa de obter informações exclusivas.

 

Em seu discurso desta quarta-feira, Cameron explicou que Coulson - chefe de imprensa do "premier" até janeiro - havia dado garantias de que não estava sabendo das escutas ilegais.

 

O primeiro-ministro acrescentou que Coulson deu as mesmas garantias à Polícia e ao Parlamento sob juramento, "mas se ficar provado que mentiu", a pergunta deveria ser se ao invés de estar no governo, deveria ser processado.

 

Investigação

 

O chefe de governo assinalou que há atualmente uma "tempestade de fogo" envolvendo os meios de comunicação, a setores da Polícia e a atitude da classe política do país para responder a uma situação ilegal como esta.

 

Em relação à investigação independente que dispôs o governo sobre as escutas - à margem da policial -, Cameron informou que esta será presidida pelo juiz Lord Leveson, que terá a autoridade para pedir declaração a diferentes testemunhas.

 

Entre as testemunhas, que deverão fazê-lo sob juramento, haverá jornalistas, diretores de meios de comunicação, policiais e políticos de todas as formações políticas.

 

O magistrado fará recomendações sobre as relações entre os políticos e os meios de comunicação, indicou Cameron, que não estabeleceu calendário sobre a finalização da pesquisa.

 

O primeiro-ministro informou que a atual investigação policial sobre as escutas contém 11 mil páginas e os números de 4 mil celulares e 5 mil linhas telefônicas fixas.

 

Com relação à investigação que estudará a ética jornalística, está deverá ficar concluída em 12 meses.

 

Segundo Cameron, o grupo "News Corporation" do magnata Rupert Murdoch deveria deixar de pensar em fusões empresariais e concentrar-se em resolver o escândalo das escutas.

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