REUTERS/Fabrizio Bensch
REUTERS/Fabrizio Bensch

Caminhão atropela dezenas em Berlim; polícia investiga caso como atentado

Segundo autoridades, 12 pessoas morreram; motorista é detido após fuga e funcionários dizem, sob anonimato, que ele seria um solicitante de asilo paquistanês

Andrei Netto, correspondente em Paris, O Estado de S. Paulo

19 Dezembro 2016 | 18h19
Atualizado 19 Dezembro 2016 | 23h53

Pelo menos 12 pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas nesta segunda-feira à noite no centro de Berlim quando o motorista de um caminhão Scania atropelou dezenas de frequentadores de uma feira de Natal na Praça Breitscheid, um dos pontos turísticos mais importantes da capital alemã. O governo da Alemanha está tratando o caso como um atentado terrorista.

O modo como tudo ocorreu lembra o ataque extremista de 14 de julho em Nice, na França, no qual 86 pessoas morreram atropeladas por um motorista que disse ter agido em nome do grupo Estado Islâmico.

O atropelamento ocorreu por volta das 21h30 (18h30 em Brasília), junto à Igreja da Memória Kaiser Wilhelm (Gedächniskirche), um ponto turístico conhecido em toda a Europa por ser um dos principais memoriais da destruição na 2.ª Guerra. “Estamos examinando o caso como um atentado terrorista, mas ainda não conhecemos realmente as motivações”, disse um porta-voz da polícia.

O motorista do caminhão foi preso pelas forças de segurança depois de fugir do local. Dois funcionários de alto escalão do governo alemão disseram sob condição de anonimato ao jornal The Washington Post que o motorista seria um paquistanês solicitante de asilo que chegou à Alemanha em fevereiro. Se a informação for confirmada, deve aumentar o debate sobre decisão da chanceler Angela Merkel de receber no ano passado quase 1 milhão de refugiados, a maioria fugindo da guerra no Oriente Médio.

Segundo as primeiras investigações, o caminhão usado no ataque tinha placas da Polônia e pertence a uma empresa polonesa. O veículo havia sido usado em uma viagem à Itália, de onde partira para Berlim para a entrega da carga, antes de retornar à Polônia. Um passageiro foi encontrado morto na cabine – as autoridades confirmaram que era um cidadão polonês, mas não deram mais detalhes sobre a identidade dele.

O ministro alemão de Justiça, Heiko Maas, informou que a Promotoria Federal – que geralmente cuida de casos de terrorismo – assumiu a investigação do atropelamento.

A polícia de Berlim fechou uma das ruas do centro da cidade, próxima à Praça Breitscheid, depois de encontrar um “objeto suspeito” que está sendo investigado.

Os primeiros relatos colhidos pelo jornal Berliner Morgenpost indicavam uma forte comoção entre os sobreviventes. “Houve um forte ruído. Então alguém me puxou pelo braço e eu ouvi os gritos. Logo ao meu lado uma pessoa caiu no chão e eu comecei a correr”, contou uma frequentadora da feira. Um homem disse ter visto o caminhão se aproximar da praça com os faróis apagados. A seguir, ouviu os primeiros estrondos e gritos histéricos.

Logo após o incidente, as forças de segurança começaram a isolar um perímetro para prestar atendimento às vítimas. Lençóis brancos cobriram os mortos. “Ouvi um grande barulho e fui em direção à feira de Natal, onde vi cenas de caos, com inúmeras pessoas feridas”, afirmou à rede de TV americana CNN o jornalista Jan Hollitzer, editor-chefe-adjunto do Berliner Morgenpost.

Em decorrência do caos instalado na região, a polícia pediu aos alemães que não se dirigissem à praça e retornassem a suas casas, para facilitar o trabalho de socorro e de investigações. “Nós precisamos de todas as vias disponíveis. Não venham à Breitscheid”, apelou a polícia, pelo Twitter. 

Para retirar a multidão, a estação de metrô Zoo, que se situa nas imediações, foi mantida aberta, mas sob alta vigilância da polícia. O Ministério do Interior afirmou, no entanto, que não havia risco iminente de novos ataques. “Não há indício que nos leve a pensar que haja outra fonte de perigo”, informaram as autoridades. 

Um turista que estava na feira disse que não sabia se o motorista “estava bêbado” ou se ele arremeteu o caminhão de forma deliberada contra a multidão, “mas ele não tentou frear, somente seguiu em frente”.

Em Paris, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Marc Ayrault, disse estar “horrorizado” pelas notícias em Berlim, que lembraram aos franceses que a ameaça terrorista continua planando na Europa. “A França está ao lado da Alemanha neste momento sombrio e doloroso”, disse o chefe da diplomacia francesa.

Os EUA condenaram o episódio, tratando-o como um aparente atentado, disse o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, Ned Price.

Até a noite de segunda-feira, a Alemanha havia sofrido com ações isoladas de radicais islâmicos. Em julho, o Estado Islâmico reivindicou a autoria de ataque lançado por um sírio de 27 anos que deixou 15 feridos e outro cometido por um afegão de 17 anos, solicitante de refúgio, que feriu 5 pessoas com um machado.

Em outubro, um sírio que tinha sido detido se suicidou na prisão. Segundo os investigadores, ele preparava um atentado contra o aeroporto de Berlim.

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