Caminhão-bomba mata 20 e deixa 60 feridos na Rússia

Um suicida atacou hoje uma delegacia no Cáucaso do Norte, na Rússia, com um caminhão carregado de explosivos. O atentado matou pelo menos 20 pessoas e feriu 60, segundo Svetlana Gorbakova, do braço regional do Comitê Investigativo do escritório da Promotoria Geral Russa. O ataque foi o mais mortífero em anos na instável região do sul do país. A violência contradiz relatos do Kremlin, segundo os quais a área está se estabilizando após duas guerras na Chechênia e uma fase de muita violência nas províncias próximas, desde 1994. Ainda que grande parte dos confrontos na Chechênia não mais ocorram, os militantes islamitas seguem em ataques esporádicos e em conflitos em províncias vizinhas.

AE-AP, Agencia Estado

17 de agosto de 2009 | 11h19

O atentado de hoje ocorreu contra os portões da sede da polícia na cidade de Nazran, na província da Ingushetia. Foram detonados aproximadamente 200 quilos de explosivos, enquanto policiais se alinhavam para uma checagem realizada todas as manhãs, segundo Gorbakova. Policiais dispararam contra o veículo, mas não conseguiram pará-lo. A explosão levou a um incêndio, que destruiu armas que estavam em um depósito. Prédios próximos foram danificados. O diretor-adjunto do braço do Ministério das Emergências na Ingushetia, Roslan Koloyev, citou na emissora Rossiya 92 feridos. Algumas das vítimas seguiram até Moscou para receber tratamento.

O presidente da Ingushetia, escolhido pelo Kremlin, disse que o ataque foi organizado por militantes, tentando vingança após recentes operações de segurança nas florestas ao longo da montanhosa fronteira com a Chechênia. "Foi uma tentativa para desestabilizar a situação e causar pânico", afirmou Yunus-Bek Yevkurov em comunicado. Yevkurov também já acusou Estados Unidos, Grã-Bretanha e Israel de fomentar a instabilidade no Cáucaso do Norte.

Direitos humanos

Grupos de direitos humanos afirmam que prisões arbitrárias, torturas e assassinatos cometidos pelas forças de seguranças ajudaram a fomentar a tensão rebelde na Ingushetia, sob o regime do antecessor de Yevkurov, Murat Zyazikov. Yevkurov, um ex-membro do serviço russo de inteligência militar GRU, prometeu encerrar a fase de abusos e negociar o perdão de alguns rebeldes, caso eles concordassem em entregar suas armas.

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