Caminhão-bomba mata 20 e fere 140 no sul da Rússia

Atentado suicida na Ingushétia marca escalada de violência na república separatista

AP E AFP, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2009 | 00h00

Um ataque suicida com um caminhão carregado com 200 quilos de explosivos deixou ontem 20 mortos e 140 feridos na delegacia de Nazran, maior cidade da república russa da Ingushétia. A explosão foi a mais letal nessa região ao sul do país em anos recentes, pondo fim às afirmações do Kremlin de que a área vinha se estabilizando depois de duas guerras na Chechênia e de crescente violência nas repúblicas vizinhas desde 1994. O presidente russo, Dmitri Medvedev, reagiu ao ataque destituindo o ministro do Interior local. "Esse ataque terrorista poderia ter sido evitado", disse Medvedev, que raramente comenta atentados como os de ontem. O presidente russo também expressou condolências aos parentes das vítimas e prometeu punição. "Faremos todo o possível para castigar os responsáveis por este crime cruel." Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque. A Ingushétia, na região do Cáucaso, vem sofrendo com uma onda de atentados terroristas nos últimos meses, incluindo um ataque suicida em junho que deixou o presidente local, Yunus-Bek Yevkurov, indicado pelo Kremlin, seriamente ferido. Ele reassumiu o posto cinco dias atrás.Yevkurov culpou os militantes islâmicos que lutam contra as forças de segurança nas florestas e montanhas na fronteira com a Chechênia pelo ataque de ontem. "Foi uma tentativa de desestabilizar a situação e semear o pânico", afirmou em nota lida por seu porta-voz.Segundo a polícia, o motorista jogou o caminhão contra os portões da delegacia no momento em que os oficiais se apresentavam para a inspeção matinal. Alguns policiais teriam atirado contra o caminhão, mas não conseguiram detê-lo. O veículo rompeu os portões e chegou ao pátio, onde foi detonado.A explosão do caminhão detonou uma série de explosões que durou várias horas no paiol da delegacia. Cerca de 30 carros que estavam nas proximidades foram incendiados e um edifício residencial ao lado do posto da polícia também foi severamente danificado. Quando as equipes de emergência puderam entrar na delegacia e demais locais atingidos com segurança, recolheram 20 corpos e socorreram 138 feridos. O atentado de ontem foi o pior de Ingushétia desde junho de 2004, quando militantes mataram quase 90 pessoas. A república é um das mais pobres da Federação Russa; atualmente 50% da população está desempregada. A situação está piorando com um influxo de refugiados da Chechênia, fugindo do confronto entre rebeldes e forças russas. REGIÃO PROBLEMAO ataque em Nazran representa um sério desafio para o Kremlin e suas políticas para o norte do Cáucaso. A região é habitada por uma maioria muçulmana de diversos grupos étnicos, que várias vezes já entraram em confronto com o governo central da Rússia e também entre si.De forma geral, a população do Cáucaso rejeita os líderes indicados por Moscou. Grupos de defesa dos direitos humanos alegam que há prisões arbitrárias, torturas e assassinatos. Na Ingushétia, o predecessor de Yevkurov, Murat Zyazikov, enfrentava grande resistência popular e foi forçado a deixar o cargo no ano passado.

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