REUTERS/Ismail Coskun/
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Caminho para derrotar EI é longo, diz CIA; mortos na Turquia sobem para 42

Presidente dos EUA conversa com líder turco e oferece ajuda nas investigações do ataque ao aeroporto de Istambul; diretor da agência de inteligência admite que combate ao grupo extremista sunita está longe de alcançar progresso significativo

O Estado de S. Paulo

29 Junho 2016 | 20h24

ANCARA - A CIA alertou nesta terça-feira, 29, que um ataque similar ao ocorrido na noite de terça-feira no Aeroporto Kemal Ataturk, em Istambul, que matou 42 pessoas, que o Estado Islâmico seguirá com ataques similares, apesar dos esforços da coalizão liderada pelos EUA para derrotá-lo. Para o diretor do órgão, John Brennan, o atentado de Istambul tem “a marca” do EI. 

"Temos feito alguns progressos na Síria e no Iraque, mas a habilidade do EI de propagar sua narrativa e incitar e organizar esses ataques continua", disse Brennan em evento no centro de estudos Council on Foreign Relations. "Acredito que demorará um tempo até que possamos fazer progressos significativos para parar isso."

Os governos da Turquia e dos Estados Unidos acreditam que o Estado Islâmico seja o responsável pelo atentado. O presidente Recep Tayyip Erdogan conversou com os presidentes americano, Barack Obama, e russo, Vladimir Putin, para discutir uma resposta aos ataques.

"A nossa avaliação é que o Estado Islâmico continua a ganhar forçar", disse o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, em pronunciamento na TV. As primeiras investigações conduzidas pela polícia turca, ainda na terça à noite apontavam que o atentado condizia mais com a linha de atuação do EI - de atacar civis indiscriminadamente - que a dos separatistas curdos do PKK, que preferem alvos do Estado. 

Apesar dos indícios, ainda não havia até  o fim da noite desta  quarta-feira provas ou um reconhecimento da autoria do ataque por parte do grupo. Em Washington, o diretor da CIA, John Brennan afirmou que o atentado de Istambul tem as características do Estado Islâmico. 

Um dia depois do ataque, foram revelados detalhes da ação. O primeiro terrorista invadiu o aeroporto, trocou tiros com a polícia e se explodiu. Os outros dois homens-bomba aproveitaram-se do caos que se seguiu e invadiram o terminal para atacar.

“Quando os terroristas não conseguiram passar pelos controles de segurança, tiraram as armas de suas malas e começaram a disparar”, disse o premiê turco. “Um se explodiu do lado de fora e os outros dois aproveitaram o pânico para entrar e se explodir lá dentro.”

Imagens feitas por testemunhas do atentado divulgadas ontem pela imprensa turca mostram a destruição no saguão do aeroporto, com destroços por todos os lados e os bombeiros tentando combater as chamas provocadas pelas explosões. 

Diplomacia. Na conversa que tiveram pela manhã, Obama ofereceu a Erdogan condolências e ajudas nas investigações sobre o atentado contra o aeroporto de Istambul ocorrido ontem, que deixou pelo menos 41 mortos e 200 feridos.

“Esta manhã, o presidente falou por telefone com o presidente Erdogan da Turquia”, afirmou Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca aos jornalistas que acompanham Obama em sua viagem a Ottawa, a capital canadense, para participar da Cúpula da América do Norte junto com os líderes de Canadá e México. “No contexto desse telefonema, o presidente Obama"ofereceu assistência aos turcos nas investigaçõesdo ataque e para fortalecer a segurança no país.”

O porta-voz afirmou ainda que o presidente também ofereceu suas profundas condolências em nome do povo dos EUA pelas vidas perdidas no atentado contra o aeroporto.

O porta-voz da Casa Branca evitou se posicionar sobre o papel do Estado Islâmico no atentado e se limitou a assegurar que qualquer informação que possa ser útil para a investigação turca será compartilhada com as autoridades.

Sem dar mais detalhes , o governo turco atualizou no fim da tarde de ontem o número de vítimas, com 42 mortos e 239 feridos. Dos mortos, 37 já foram identificados, dos quais 10 são estrangeiros e 3 têm dupla nacionalidade, detalha o comunicado, enquanto 19 corpos já foram entregues às suas famílias. / EFE, REUTERS e AFP

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