Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Caminhões com ajuda humanitária do Brasil chegam à fronteira com a Venezuela

Governo federal estocou em Boa Vista, com ajuda da embaixada dos Estados Unidos, cerca de 200 toneladas de alimentos e remédios; estratégia é levar o auxílio por meio em três frentes, poo via marítima e com ações na fronteira com Brasil e Colômbia

Luiz Raatz, Enviado Especial, Pacaraima / Roraima

23 de fevereiro de 2019 | 08h38
Atualizado 23 de fevereiro de 2019 | 14h40

PACARAIMA, RORAIMA - Os dois caminhões de ajuda humanitária enviados do Brasil à Venezuela chegaram a Pacaraima neste sábado, 23 - um deles, no entanto, teve um pneu furado e demorou algumas horas a mais para completar o trajeto. A ideia é que, juntos, eles tentem passar a fronteira, que está fechada desde quinta-feira. Ainda não há, porém, previsão de quando eles iniviarão a tentativa de passar pela aduana do lado venezuelano da fronteira.

Os veículos, ambos com placas e motoristas venezuelanos receberam escolta da Polícia Rodoviária Federal e do Exército brasileiro durante o trajeto de cerca de 220 quilômetos entre a capital de Roraima e a cidade fronteiriça.

A estratégia da oposição é levar o auxílio por meio de três ações simultâneas, com assistência prestada via marítima, ações na fronteira com o Brasil e por meio de eventos na Colômbia - na véspera, houve o show Venezuela Live Aid, de apoio ao líder opositor Juan Guaidó e pró-ajuda humanitária organizado pelo bilionário britânico Richard Branson na cidade colombiana de Cúcuta, cujo objetivo era arrecadar US$ 100 milhões em 60 dias.

Segundo a representante diplomática do líder opositor Juan Guaidó no Brasil, María Teresa Belandria, a oposição teve muita dificuldade em reunir caminhões para entregar as 200 toneladas de alimentos e remédios fornecidas pelos Estados Unidos e pelo Brasil.

"O regime usurpador (de Maduro) está intimidando os motoristas e empresas de transporte para não colaborar", disse ela em entrevista na cidade de Pacaraima. 

Um dos voluntários que participou do traslado da ajuda humanitária, o venezuelano Leifer Sanchez, disse ao Estado que não conseguiu reunir mais caminhões justamente por essa pressão. Ele tentará atravessar a fronteira para entregar o carregamento de arroz e kits médicos para doenças de baixa complexidade a deputados da oposição em Santa Elena de Uairén. 

Na fronteira, é possível ver uma coluna de soldados da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) protegendo o posto de passagem. A bandeira venezuelana não foi hasteada, em sinal do fechamento.

"Não temos medo", disse Sanchez. "O venezuelano não sente medo, só dor."

Um dos voluntários da equipe da embaixadora reuniu populares venezuelanos na fronteira para pedir que eles acompanhem os caminhões e peçam, sem violência, para que o comboio passe. "Vamos pedir passagem, mas sem violência", disse ele à pequena multidão, seguido de gritos de "Fora, Nicolás".

Posição do Itamaraty

O chanceler Ernesto Araújo disse em entrevista que espera que a GNB libere a passagem dos caminhões. Ele ainda aventou a possibilidade de novos carregamentos serem entregues na fronteira. "O principal é vencer essa primeira etapa", afirmou. No entanto, a Guarda Nacional Bolivariana ampliou o fechamento de fronteira com Brasil.

Ao lado de María Teresa, e de autoridades diplomáticas americanas, Araújo afirmou que a entrega será conduzida pela equipe do "governo legítimo do presidente Guaidó". 

Segundo ele, são 178 toneladas de remédios e alimentos não perecíveis como feijão, arroz, açúcar e leite em pó. O governo federal estocou os mantimentos com ajuda da embaixada dos Estados Unidos, que não puderam ser transportados em sua totalidade devido ao fechamento de fronteira ordenado por Maduro.

A embaixadora nomeada pelo líder opositor também lembrou que em Cúcuta, durante a noite, guardas da GNB desbloquearam uma parte da ponte e esperam o mesmo procedimento em Pacaraima. Ela também reiterou a informação de que Maduro dificultou a saída de caminhões venezuelanos para o Brasil por meio de pressão junto a empresas de transporte.

O Brasil se comprometeu com a operação, mas estabeleceu como única condição que o transporte da carga seja realizado por "caminhões venezuelanos com motoristas venezuelanos", que nos últimos dias não conseguiram entrar no país devido ao bloqueio fronteiriço estabelecido pelo presidente chavista.

Segundo o porta-voz do presidente Jair Bolsonaro, Otávio do Rêgo Barros, a operação para entregar essa ajuda pode se prolongar pelos próximos dias se persistirem as dificuldades para a entrada dos caminhões venezuelanos. Fontes ouvidas pela Agência Efe disseram que, caso os caminhões não consigam entrar neste sábado na Venezuela, retornarão a Boa Vista e serão enviados novamente quando houver as garantias de segurança necessárias.

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