AP Photo/Ariana Cubillos
AP Photo/Ariana Cubillos

Caminhoneiros apoiam Guaidó e prometem buscar ajuda na fronteira

Sindicatos prometem ajudar líder opositor, que revela entrada de toneladas de comida e remédio também pelo mar; em resposta, governo venezuelano fecha todos os portos do país

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2019 | 21h34

CARACAS- Os principais sindicatos de caminhoneiros da Venezuela se uniram nesta quarta-feira, 20, em Caracas para dar apoio ao líder opositor, Juan Guaidó. Em manifestação, eles prometeram buscar a ajuda humanitária enviada pelos EUA que está armazenada na fronteira com a Colômbia

Segundo representantes do setor, mais de 300 caminhões tentarão cruzar as fronteiras do país para recolher alimentos e remédios na Colômbia e no Brasil. “Esperamos abrir a fronteira para buscar alimentos, remédios e pneus”, disse o sindicalista Hugo Ocando. “Mais de 90% da categoria apoia a oposição.”

Hoje, Guaidó detalhou parte do plano para convencer os militares a permitir a entrada de ajuda no sábado, em uma estratégia que inclui manifestações diante de quartéis e mobilizações de voluntários na fronteira. O chavismo reagiu com a proibição de partidas de embarcações de todos os portos e ameaças de “resistir” a uma suposta invasão estrangeira. 

“Vamos nos concentrar nos quartéis de maneira pacífica, mas muito contundente”, disse Guaidó durante reunião com caminhoneiros. “Iremos a cada um desses postos exigir ajuda humanitária.” O opositor não antecipou se viajará no sábado para algum dos pontos de fronteira, mas disse que estará “na rua”.

Guaidó, que voltou a pedir que os militares rompam com Maduro, ainda revelou que a ajuda deve entrar “por terra e por mar”, esta última pelos portos de La Guaira e Puerto Cabello. Em resposta, o governo da Venezuela suspendeu as saídas de embarcações de todos os portos do país até o dia 24.

Um documento de instrução militar informa a “suspensão das partidas de embarcações de todos os portos” por razões de segurança, mas não explica o que acontecerá com as embarcações e nem com os navios que estejam a ponto de atracar.

De acordo com a nota, esses relatórios indicam que “grupos do crime organizado” e “promotores de violência” planejam realizar “ações” que podem servir para “criar falsos positivos e culpar o governo” e as Forças Armadas. A nota afirma que somente serão permitidas partidas de emergência. O texto é assinado pelo comandante da autoridade militar da defesa de Vargas, Estado onde fica La Guaira, principal porto do país.

Diplomacia

Ainda hoje, o governo da Venezuela anunciou que foi forçado a colocar sob revisão as relações diplomáticas com Bonaire, Aruba e Curaçau, ilhas que fazem parte das Antilhas Holandesas, que criticaram Nicolás Maduro.

“O presidente Maduro instruiu o chanceler, Jorge Arreaza, a colocar sob revisão as relações com esses países. Fomos forçados a isso”, disse a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez.  Hoje, o governo de Porto Rico confirmou a saída de 290 toneladas de ajuda humanitária para o ponto de logística nas Antilhas Holandesas, mas ainda não está claro se esse material conseguirá chegar à Venezuela em razão do bloqueio marítimo. 

O governo venezuelano anunciou também que chegaram hoje ao país 300 toneladas de ajuda humanitária vindas da Rússia, pela qual Caracas teria “pagado”. Os insumos seriam distribuídos na fronteira como uma forma de confrontar a oferta de ajuda da oposição. 

“Todos os dias as pessoas atravessam a fronteira com a Colômbia, de maneira oficial ou não. De alguma forma, a ajuda vai chegar”, avalia Luis Vicente León, do Instituto Datanálisis. “O que o governo está tentando fazer é minimizar o impacto disso.” Desde 2013, a Venezuela vive uma escassez de alimentos e remédios, depois que Maduro limitou a importação de insumos para a iniciativa privada.

Bancos suíços

Ainda nesta quarta-feira, Guaidó afirmou ter conversado e pedido ao presidente da Suíça, Ueli Maurer, para congelar as contas nos bancos suíços pertencentes ao governo venezuelano, que passa por uma grave crise política. Para justificar sua iniciativa, alegou que “movimentações irregulares” foram descobertas. 

Em uma entrevista ao canal mexicano Televisa, Guaidó disse ter conversado com o presidente suíço, sem mencionar seu nome. Um porta-voz da chancelaria suíça, porém, negou que os dois tenham conversado. 

Guaidó alega que o governo de Maduro mantinha contas na Suíça e diz ter descoberto esforços para migrar parte dessas contas para outros países. “Estamos fazendo todo o possível para proteger esses ativos que pertencem à república”, disse. 

O opositor não esclareceu como essas “movimentações irregulares” das contas foram detectadas, se algum dinheiro foi transferido ou outros detalhes. 

A Suíça pediu proteção para Guaidó e considera a situação na Venezuela sob Maduro “extremamente problemática”, mas diz que reconhece formalmente Estados, não governos. / REUTERS e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.