'Camisas vermelhas' da Tailândia retornam às ruas de Bangcoc

Pelo menos 10 mil manifestantes antigoverno retornaram às ruas de Bangcoc nesta sexta-feira para lembrar o aniversário de seis meses de uma repressão militar fatídica, mas não houve incidentes violentos.

AMBIKA AHUJA, REUTERS

19 de novembro de 2010 | 13h27

Brandindo bandeiras e trajando camisetas vermelhas, os manifestantes convergiram para o mesmo distrito comercial que ocuparam nos tumultos de abril a maio que deixaram 91 mortos e pelo menos 1.800 feridos, na pior violência política da história tailandesa moderna.

"Pessoas morreram aqui", cantaram os manifestantes. Muitos pediram punição para os responsáveis pelas mortes.

Mas a ausência de uma liderança clara entre os "camisas vermelhas" faz com que seja improvável um protesto prolongado desta vez, especialmente porque ainda são recentes as memórias da repressão de 19 de maio, que terminou em uma noite de violência na qual mais de 30 prédios foram incendiados.

"Houve e continuará a haver protestos esporádicos e curtos como este por algum tempo ainda", disse o analista Karn Yuenyong, diretor do instituto independente Unidade de Inteligência Siam.

"O objetivo é energizar as pessoas e lembrar ao governo que os ressentimentos continuam presentes, mas não se trata de buscar um confronto final agora."

A reunião de manifestantes na área de Ratchaprasong atrapalhou o trânsito, e vários shoppings de luxo fecharam preventivamente suas entradas principais, mas continuaram em funcionamento.

A manifestação serviu para lembrar a todos sobre as divisões na sociedade tailandesa, que permanecem perigosamente abertas, apesar das promessas de conciliação feitas pelo governo.

O movimento de protesto contínuo indica que não são boas as chances de um fim iminente da crise política que se arrasta há cinco anos e opõe os camisas vermelhas, da classe trabalhadora rural, à elite do establishment, os monarquistas e os militares, que apoiam o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva, que nasceu na Grã-Bretanha e estudou em Oxford.

(Reportagem adicional de Panarat Thepgumpanat e Arada Kultawanich)

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