Campanha alemã não reduz onda neonazista

Uma onda de neonazismo que chocou líderes judeus e levou o governo alemão a anunciar uma guerra contra o extremismo de direita continuou "inaceitavelmente alta" no primeiro semestre deste ano, informou hoje o Ministério do Interior, ao apresentar os primeiros resultados de sua campanha. Segundo os números, a polícia registrou 7.729 crimes relacionados à extrema direita de janeiro a junho de 2001. Destes, 2.212 foram crimes de ódio, a maioria contra estrangeiros e judeus. Cerca de 430 envolveram violência.De acordo com o Ministério, os números de anos anteriores não estão disponíveis, mas o total apresentado hoje indica que praticamente não houve mudança em relação ao mesmo período de 2000. O resultado da pesquisa "deixa claro que nós não podemos relaxar em nosso compromisso de lutar contra esses crimes com todos os meios preventivos e repressivos", afirmou, por meio de um comunicado, o ministro do Interior alemão, Otto Schily.A onda de neonazismo na Alemanha gerou uma condenação mundial no ano passado principalmente devido a um atentado a bomba que causou ferimentos em imigrantes judeus em Dusseldorf - que até hoje não foi esclarecido - e um aumento em ataques contra estrangeiros e sem-teto.Embora os números apresentados hoje mostrem uma redução significativa dos crimes de ódio de janeiro (1.625) a junho (652) deste ano, o Ministério alertou para o fato de que alguns oficiais continuam muito lentos na hora de registrar as ofensas e para se adaptar aos novos métodos de classificar crimes motivados politicamente.

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