Campanha aumenta controle sobre imagem de democrata

Duas muçulmanas são impedidas de tirar uma foto com Obama; restrições irritam imprensa americana

Jim Rutenberg e Jeff Zeleny, The New York Times, Washington, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2008 | 00h00

Num comício do senador Barack Obama, na segunda-feira, em Detroit, duas muçulmanas foram proibidas de se sentar atrás do candidato democrata porque usavam véus e os assessores da campanha quiseram evitar que elas aparecessem junto com ele em fotos e na televisão. Após o incidente, o comitê de campanha de Obama pediu desculpas às estudantes. "Isso não reflete a orientação da campanha", afirmou Anita Dunn, assessora de Obama. O caso, divulgado na quarta-feira pelo site Politico.com, revelou os problemas enfrentados pela campanha para controlar a imagem de Obama.O comitê do democrata está empenhado em combater boatos disseminados na internet - como o que diz que ele é muçulmano - e seus assessores enfatizam o "americanismo" do senador exibindo bandeiras em abundância. Como exemplo desse controle, a campanha impediu o uso de câmeras num encontro de líderes negros do qual Obama participou, também na segunda-feira.Recentemente, seus assessores se recusaram a fornecer os nomes dos religiosos com as quais o senador se reuniu em Chicago. E, na quarta-feira, o comitê orquestrou a participação da mulher de Obama, Michelle, no simpático programa The View, da rede ABC. Embora a estratégia receba elogios de estrategistas políticos de ambos os partidos, ela também cria problemas para um candidato, que adota uma discurso de abertura e transparência. Os estrategistas de Obama deixaram claro que não acreditam que seja necessário tomar medidas para controlar a imagem do democrata. No entanto, os esforços parecem, às vezes, em conflito com o desejo manifestado por Obama de manter a transparência na campanha.Assessores do senador democrata dizem que sua campanha tem-se mantido fiel a esse compromisso e dão como exemplo a decisão de Obama de ser o primeiro candidato este ano a revelar as sua contabilidade de campanha aos jornalistas.Na prática, porém, é visível a adoção de uma abordagem mais estratégica e dirigida em relação à imprensa. Nesta semana, por exemplo, Obama concentrou-se em falar sobre economia especificamente para repórteres do The Wall Street Journal e da revista Fortune. Mas o controle rígido da imagem de Obama tem causado tensão entre a campanha e a mídia. Há duas semanas, seus assessores anunciaram que o candidato estava voando para Chicago, quando, na verdade, ficou em Washington para reunir-se com Hillary Clinton, irritando alguns diretores de jornais e agências de notícia.

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