AFP PHOTO / Pedro PARDO
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Campanha começa no México em meio a violência recorde

Em 2017, mais de 29 mil pessoas foram assassinadas no país; crime organizado será tema crucial na eleição presidencial de 1º de julho

O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2018 | 19h36

CIDADE DO MÉXICO - A campanha presidencial mexicana começou oficialmente ontem, quando os três principais nomes oficializaram suas candidaturas. De agora até a votação, no dia 1.º de julho, a campanha deve girar em torno de um tema onipresente no México: a violência. Segundo o governo, 29.168 pessoas foram assassinadas em 2017, um recorde. Os primeiros sinais de que a questão deve dominar o debate foram vistos no fim de semana.

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Enrique Ochoa, presidente do Partido Revolucionário Institucional (PRI), do atual presidente Enrique Peña Nieto, disse que a culpa pelo aumento da explosão de violência é do candidato de esquerda Andrés Manuel López Obrador, ex-prefeito da Cidade do México, do Movimento da Regeneração Nacional (Morena). “A violência aumentou porque AMLO (iniciais de Obrador) propôs uma anistia para narcotraficantes e criminosos”, disse Ochoa.

Os índices de violência no México começaram a crescer logo após a guerra aos cartéis declarada pelo então presidente Felipe Calderón, no seu primeiro ano de mandato, em 2006. O auge ocorreu em 2011, ano que registrou 27.213 assassinatos. As cifras caíram nos primeiros anos de Peña Nieto, mas voltaram a crescer.

O maior problema doméstico do próximo presidente mexicano será encontrar uma maneira eficaz de conter a expansão do narcotráfico. Nos últimos dez anos, a repressão às grandes organizações criminosas, como os cartéis de Sinaloa e Los Zetas, tem provocado a pulverização do poder em novos grupos menores, como o Jalisco Nueva Generación.

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Novato

Assim como em outras partes do mundo, o eleitor mexicano também tem demonstrado cansaço com os políticos tradicionais. Evidência desta situação é a impopularidade de Peña Nieto, alvo de numerosas denúncias de corrupção. “As pessoas estão desesperadas por mudança no México e estão dispostas a provar qualquer coisa que seja diferente”, disse Duncan Wood, diretor do Mexico Institute, do Wilson Center, em Washington.

O favorito nas pesquisas é López Obrador, de 64 anos. Ele lidera com cerca de 30% das intenções de voto. Esta será sua terceira candidatura seguida. Pela primeira vez, porém, ele moderou seu estilo combativo em busca de mais eleitores.

Logo atrás vem Ricardo Anaya, ex-deputado de 38 anos, militante do conservador Partido Ação Nacional (PAN), um jovem que promete combater a corrupção ligada ao PRI. Anaya disputará a presidência em aliança inusitada com o esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD).

O terceiro nome é José Meade, ex-ministro de 48 anos, do PRI, que carrega nas costas os seis anos de mandato de Peña Nieto e tenta se livrar deste passivo apresentando-se como um candidato “cidadão e independente”. Anaya e Meade têm cerca de 20% das intenções de voto.

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No México, não há segundo turno e é comum um presidente ser eleito com menos de 40% dos votos. Por isso, Anaya e Meade tentam construir uma candidatura anti-Obrador. O objetivo é explorar a rejeição histórica ao candidato esquerdista. “Vamos ver se López Obrador consegue manter essa liderança e se as alianças que ele criou vão render ou tirar votos”, afirma o analista Fernando Dworak.

Além da violência crescente, o próximo presidente mexicano terá também o desafio de lidar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ataca o México constantemente e ameaça o Tratado de Livre Comércio para a América do Norte (Nafta). De acordo com analistas, quem souber explorar a antipatia que os mexicanos têm por Trump poderá ganhar terreno na disputa. / REUTERS e AFP

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