Campanha de Bush desanda

Mesmo antes de anunciar sua candidatura, vários erros deixaram sua posição enfraquecida

ED OKEEFE &, ROBERT COSTA, THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2015 | 02h04

Quando solicitados a indicar onde a aposta presidencial de Jeb Bush começou a fazer água, muitos confidentes pronunciaram uma única palavra: Dallas. Mike Murphy, alter ego político de Bush, decidiu fazer as reuniões com o pessoal de chefia num local incomum: o Hotel Hyatt dentro do Aeroporto Internacional de Dallas/Fort Worth. A ideia era que aquele seria um local de reunião central e relativamente barato para uma equipe espalhada de Los Angeles, onde Murphy vive, a Miami, onde Jeb Bush mora.

As coisas correram bem no início, mas rapidamente se transformaram numa rotina incômoda. Doadores e outros republicanos consideram o ambiente impróprio para uma campanha em formação que supostamente devia ter a Flórida como base.

Antigos aliados de Bush também ficaram descontentes com a contratação precipitada de novos consultores e as relações azedaram. E à medida que o ex-governador de Flórida começava a patinar no caminho e nas pesquisas, as discussões se transformaram em disputas sobre como distribuir dinheiro e recursos entre o super PAC (comitê de arrecadação) aliado de Bush e sua campanha oficial.

"Essas coisas sempre são uma queda de braço", disse Thomas Rath, um amigo da família Bush em New Hampshire. "É como no primeiro dia de aula, todo mundo tentando conseguir a melhor carteira." Os problemas do aeroporto foram apenas um sinal entre muitos de uma operação política desandando - desconjuntada entre mensagem e abordagem, dilacerada entre facções, e mais caótica do que parecia. Os primeiros seis meses de Bush como candidato quase declarado foram marcados por erros de cálculo que deixaram sua posição consideravelmente enfraquecida antes de sua entrada formal na disputa, prevista para o dia 15.

Em entrevistas esta semana, dezenas de apoiadores de Bush e republicanos descreveram uma operação preparatória excessivamente otimista e até arrogante. Erros estratégicos foram exacerbados por tropeções inesperados do aspirante e disputas dentro de sua equipe culminaram num remanejamento de pessoal esta semana.

A premissa original da candidatura Bush - de que um começo rápido e ousado assustaria rivais em potencial e o ajudaria a superar o fardo de seu sobrenome - se mostrou equivocada.

A capacidade de sua operação de atrair cheques polpudos também alimentou expectativas infladas. Apoiadores admitiram esta semana que um super PAC aliado provavelmente ficaria aquém das previsões de US$ 100 milhões no primeiro semestre do ano.

Na estrada, Bush cumpriu sua promessa de não guinar para a direita para vencer as primárias, mas suas posições vacilantes sobre imigração e educação se mostraram mais em descompasso com a base de seu partido do que astutamente pragmáticas. Suas bizarras conversas de pergunta e resposta com eleitores às vezes parecem palestras universitárias e não um pedido simpático de votos.

Os problemas corroeram a imagem que Bush procurava exibir como o único republicano realmente preparado para a corrida presidencial. Nas pesquisas, ele caiu de aspirante mais bem colocado para um dos vários candidatos se engalfinhando rumo ao topo.

Bush reviveu uma rede de assessores de 650 membros formada por ex-alunos de universidade que trabalhou para ele como governador e recrutou 21 veteranos dos governos de seu pai e de seu irmão para aconselhá-lo sobre política externa.

Iraque. Após uma entrevista transmitida pela Fox News há um mês, Bush suou durante quatro dias para responder se teria autorizado a guerra iniciada por seu irmão considerando o que hoje se sabe sobre a falha da inteligência. Ele primeiro disse sim, depois disse "talvez", e por fim recusou-se a responder. Dias depois, Bush tentou resolver a questão num evento. "O negócio é o seguinte", ele disse. "Se devemos supostamente responder a perguntas hipotéticas - sabendo o que agora sabemos, o que você seria feito - eu não teria me engajado. E não teria ido ao Iraque." O episódio serviu para cristalizar algumas preocupações cruciais sobre Bush - sua relutância em criticar ou se distanciar das políticas impopulares de George W. Bush e sua tendência a se irritar quando pressionado.

Amigos e doadores esperam que Bush tenha corrigido a rota e os recursos substanciais que ele recebeu o levem mais longe do que outros. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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