Campanha de Capriles critica Lula por vídeo

Para oposição venezuelana, declaração de apoio de ex-presidente a Maduro é 'decepcionante'

LUIZ RAATZ, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2013 | 02h03

O comando de campanha do candidato da oposição à presidência da Venezuela, Henrique Capriles, fez ontem duras críticas a um vídeo divulgado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em respaldo à candidatura do chavista Nicolás Maduro, herdeiro político do líder bolivariano Hugo Chávez, morto em 5 de março. As imagens foram exibidas em uma reunião do Foro de São Paulo - entidade que reúne partidos e movimentos de esquerda latino-americanos.

A coordenadora de relações internacionais da campanha de Capriles, a deputada María Corina Machado, da Mesa de Unidade Democrática (MUD), lamentou o envolvimento de Lula na campanha. "É um vídeo triste e decepcionante", disse Maria Corina ao Estado. "Uma pessoa que se apresentava como um lutador pelos direitos humanos tornou-se cúmplice de um regime que desconhece a Constituição venezuelana. É um vídeo que demonstra incoerência em termos de valores democráticos."

No vídeo, divulgado na noite de segunda-feira, Lula exortou os venezuelanos a votar em Maduro, o herdeiro político de Chávez que se tornou presidente interino do país após uma interpretação da Constituição criticada pela oposição. Na avaliação da MUD, diante da morte de Chávez, caberia ao presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, assumir a presidência e convocar novas eleições.

"Nos oito anos em que fui presidente do Brasil, tive a oportunidade de conviver com Nicolás Maduro, que era ministro das Relações Exteriores da Venezuela. Maduro se destacou brilhantemente na luta para projetar a Venezuela no mundo e na construção de uma América Latina mais democrática e solidária", diz o brasileiro no vídeo de quase dois minutos.

Como na Venezuela o vice não é eleito, mas nomeado pelo presidente, Maduro chegou à presidência interina sem ter sido votado. Uma decisão do Tribunal Supremo de Justiça definiu que a cerimônia de posse de Chávez, em janeiro, era uma mera formalidade - já que o presidente tinha sido reeleito e se tratava de um câncer em Cuba. A sentença respaldou constitucionalmente a posse de Maduro como interino. Com o novo mandato em vigor, caberia ao vice assumir o governo após a morte do presidente.

A campanha de Capriles divulgou ainda um comunicado no qual critica a divulgação do vídeo e a chegada de uma delegação do Foro de São Paulo a Caracas no início da campanha na Venezuela. Para María Corina, a proximidade do governo chavista com guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e com o regime cubano - ambos membros do Foro - é motivo de preocupação para a oposição.

"Cuba, por interesses econômicos e políticos, interfere permanentemente nos destinos da Venezuela", disse María Corina. "E, nesses 14 anos, a Venezuela converteu-se numa fonte de instabilidade, não só tomando posições de ingerência em outros países, como também financiando grupos de determinadas correntes, como é o caso das guerrilhas."

Disputa. A campanha começou oficialmente ontem na Venezuela. Maduro visitou Sabaneta de Barinas, terra natal de Chávez, e ao lado de parentes do presidente prometeu vencer a eleição. "Lembramos de Chávez como nosso pai. Ele marcou nossa vida, nunca o desapontaremos", disse.

O candidato ainda afirmou que Chávez apareceu para ele na forma de um passarinho e o abençoou. "Senti-o aqui como uma bênção, nos dizendo: 'hoje começa a batalha. Rumo à vitória. Vocês têm nossa bênção'. Eu o senti em minha alma", disse Maduro . / COM EFE

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