Steve Pope/AFP
Steve Pope/AFP

Campanha de Ted Cruz tem salto em arrecadação; partidos iniciam prévias

Republicano consegue valor semelhante à soma dos quatro seguintes nas pesquisas de intenção de voto no último semestre

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

01 de fevereiro de 2016 | 20h53

As contribuições para campanhas eleitorais dos EUA já refletem o desempenho dos pré-candidatos nas pesquisas e serão influenciadas de maneira decisiva pelos resultados da temporada de prévias, que teve sua largada ontem em Iowa. Segundo colocado entre os republicanos, o senador Ted Cruz registrou a maior arrecadação no último trimestre de 2015.

Cruz terminou o ano com quase tanto dinheiro em caixa quanto a soma dos recursos obtidos pelos quatro nomes que aparecem em seguida. Preferido dos grandes doadores no início da disputa, em junho, Jeb Bush viu sua arrecadação minguar: o ex-governador da Flórida recebeu US$ 7,1 milhões em doações no período, metade dos US$ 14 milhões que foram destinados ao senador de seu Estado Marco Rubio, terceiro colocado nas pesquisas.

Cruz arrecadou US$ 20,5 milhões no último trimestre de 2015, mas gastou uma fatia menor dos recursos do que seus adversários. Com isso, fechou o ano com US$ 18,7 milhões em caixa, pouco menos que os US$ 21,6 milhões controlados por Rubio, Bush e os governadores John Kasich e Chris Christie.

Líder da corrida entre os republicanos, o bilionário Donald Trump destinou US$ 10,8 milhões de sua própria fortuna à campanha pela Casa Branca, cumprindo a promessa de ser o principal financiador de sua corrida. Mas ele recebeu US$ 2,1 milhões de pequenos doadores e encerrou o ano com US$ 6,9 milhões em caixa.

O eixo da política dos EUA se deslocou nesta segunda-feira para Iowa, um Estado do Meio-Oeste onde vivem 3 milhões de americanos, o equivalente a 1% da população do país. Durante o dia, os candidatos republicanos e democratas enfrentaram uma maratona de eventos na esperança de convencer os eleitores que votaram durante a noite. Até o fechamento desta edição, não havia indicação de resultados.

Disputa apertada. Filho de imigrantes cubanos e em seu primeiro mandato como senador, Rubio tenta se firmar como a opção preferencial da ala tradicional republicana, que tinha em Bush sua primeira escolha. O filho e irmão de ex-presidentes americanos era visto como favorito no início da campanha eleitoral, quando liderava as pesquisas de seu partido e atraía em peso os grandes doadores.

Ao longo do ano passado, Bush e os Comitês de Ação Política que o apoiam receberam US$ 150 milhões, mais do que qualquer outro candidato – o segundo lugar foi da democrata Hillary Clinton, que obteve US$ 112 milhões. Mas 90% dos recursos de Bush foram para os Comitês de Ação Política, os chamados “Super PACs”, que só podem usar o dinheiro em anúncios e são proibidos de financiar despesas diretas de campanha – como aluguel e pagamentos de funcionários.

A propaganda de Bush em Iowa foi intensa, incluindo grandes anúncios em jornais locais – um deles atacava diretamente o adversário Marco Rubio por ter utilizado cartão de crédito do Partido Republicano para gastos pessoais na década passada. O total de gastos chegou a US$ 182 mil. O pré-candidato se defendeu afirmando que a parte pessoal dos gastos foi paga diretamente por ele.

Com a espetacular queda de Bush nas pesquisas, alguns dos grandes doadores do Partido Republicano passaram a apoiar Rubio. Entre eles está Paul Singer, dono do fundo de investimentos Elliott Management, que assinou um cheque de US$ 2,5 milhões para o pré-candidato. Mas o desembarque em peso dos financiadores na campanha de Rubio dependerá de seu desempenho nas prévias iniciais da campanha – a próxima ocorrerá em New Hampshire no dia 9.

Segundo o Center for Responsive Politics, de Washington, Cruz teve mais dificuldades do que Rubio para atrair os megadoares da legenda. Análise da entidade indica que 41% dos recursos obtidos pelo candidato nos últimos três meses de 2015 vieram de pessoas que desembolsaram menos de US$ 200.

Democratas.Do lado democrata, Hillary Clinton arrecadou US$ 38,2 milhões no quarto trimestre e não ficou muito distante de seu mais próximo adversário, o senador Bernie Sanders, que obteve US$ 33,5 milhões. Mas Sanders fechou o ano com US$ 75 milhões, menos do que os US$ 102 milhões que haviam sido obtidos pelo então senador Barack Obama nessa mesma fase da campanha eleitoral em 2007.


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