Mandel Ngan/AFP
Mandel Ngan/AFP

Campanha de Trump pedirá recontagem parcial de votos em Wisconsin

Comitê do presidente pagou US$ 3 milhões para a comissão eleitoral estadual iniciar nova contagem

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2020 | 13h43

WASHINGTON - A campanha do presidente Donald Trump planeja entrar com uma petição formal às autoridades eleitorais do Wisconsin para realizar uma recontagem da votação presidencial em alguns condados selecionados, segundo fontes ouvidas pelo jornal The Washington Post

A Comissão Eleitoral de Wisconsin confirmou que recebeu uma transferência eletrônica da campanha de Trump no valor de US$ 3 milhões, para cobrir os custos da recontagem parcial, uma exigência da lei estadual. Uma recontagem total custaria US$ 7,9 milhões à campanha de Trump.

A comissão disse que a campanha ainda não havia entrado com a petição para a recontagem, mas indicou que planeja fazê-lo na quarta-feira.

É um processo que os especialistas dizem que dificilmente reverterá a derrota de Trump no Estado, mas pode permitir que ele adie a aceitação formal do resultado - e a obrigatória certificação de Biden como vitorioso.

Trump está atrás de Biden por cerca de 20.600 votos em Wisconsin, ou 0,6%, uma margem que os especialistas concordam que Trump provavelmente não recuperará durante uma recontagem. 

No entanto, segundo a lei estadual, ele tem direito a uma recontagem, visto que a margem de vitória de Biden é inferior a 1% - desde que sua campanha concorde em pagar pelo processo com antecedência.

As autoridades estaduais anunciaram no início desta semana que uma recontagem total custaria US$ 7,9 milhões, mas a campanha de Trump poderia solicitar uma recontagem apenas em alguns condados - por exemplo, Milwaukee - e pagar menos.

Realizar uma recontagem apenas em alguns condados tornaria ainda menos provável que o processo gerasse votos suficientes para diminuir a diferença entre Trump e Biden. Trump aprovou a mudança na noite de terça-feira em negociações com conselheiros e seu advogado, o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, que está liderando a batalha legal do presidente.

A campanha disse logo após a votação de 3 de novembro que iria "imediatamente" buscar uma recontagem em Wisconsin, citando "irregularidades". Mas, segundo a lei estadual, não poderia pedir a recontagem até que os 72 condados do Estado concluíssem a apuração. Isso foi concluído na terça-feira.

A campanha não especificou nenhuma irregularidade particular que acredita ter ocorrido no Estado, e as autoridades eleitorais disseram que a votação ocorreu sem problemas. A comissão de eleições estaduais deve se reunir na quarta-feira para aceitar formalmente a petição assim que for apresentada e iniciar a recontagem local. Os condados onde a recontagem for solicitada teriam 13 dias para concluir o processo. 

Autoridades estaduais disseram que o cronograma ainda permitirá que os resultados sejam certificados em 1º de dezembro, conforme exigido pela lei estadual.

Outras ações 

Na terça, a Suprema Corte da Pensilvânia rejeitou uma ação judicial da campanha de Trump que questionava a integridade da apuração de votos na Filadélfia. A ação alegava que representantes republicanos teriam sido privados, de forma ilegal, de acompanhar a contagem de votos na Filadélfia, maior cidade do Estado e um reduto democrata. 

Não há evidências de fraude generalizada nas eleições, e especialistas dizem que os vários processos de Trump não têm chance de reverter o resultado de nenhum Estado –  muito menos das eleições. Funcionários eleitorais de ambos os partidos declararam que as eleições foram honestas e observadores internacionais não registraram irregularidades graves.

As questões apontadas pela campanha de Trump e seus aliados são típicas em todas as eleições: problemas com assinaturas, envelopes secretos e marcas postais em cédulas de correio, bem como a possibilidade de um pequeno número de votos perdidos. / Washington Post e AP 

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