Brendan Smialowski / AFP
Brendan Smialowski / AFP

Campanha de Trump tem arrecadação recorde em meio a impeachment

Presidente arrecada US$ 46 milhões no último trimestre de 2019, melhor resultado desde que se lançou na disputa pela reeleição; pré-candidato democrata que mais se aproxima é o senador Bernie Sanders, que recebeu US$ 34,5 milhões

Redação, O Estado de S. Paulo

02 de janeiro de 2020 | 22h18

WASHINGTON

A campanha do presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira, 2, que arrecadou US$ 46 milhões no último trimestre de 2019. As cifras significam um recorde para o atual ciclo eleitoral, apesar do processo de impeachment que avançou no Congresso em dezembro, e mostram o tamanho do desafio enfrentado pelos democratas para se manterem competitivos na votação presidencial de novembro.

O dinheiro é considerado um termômetro importante da campanha eleitoral americana. O tamanho das arrecadações mostra o ânimo da base de doadores – em uma eleição em que o voto não é obrigatório –, além de indicar a capilaridade e o poder de fogo de um candidato. 

O valor arrecadado é fundamental para bancar publicidade, pesquisas, estrategistas e assessores, além de transporte e hospedagem para que o candidato se locomova em um país de dimensões continentais. Os partidos precisam abrir escritórios e comitês de campanha no maior número de Estados possível, tudo custeado por doações.

O ex-senador republicano Mark Hanna, no início do século 20, colocava a arrecadação de dinheiro como o fator mais importante da eleição americana. “Duas coisas são importantes na política nos EUA. A primeira é o dinheiro. A segunda eu não me lembro”, dizia. 

De acordo com a empresa de pesquisa de mídia Borrell Associates, nas eleições de meio de mandato de 2018 – ano que não houve votação presidencial –, os candidatos gastaram US$ 8,8 bilhões no país inteiro, somando todas as campanhas, em nível federal, estadual e local. Nas presidenciais de 2016, a democrata Hillary Clinton torrou quase US$ 1,2 bilhões na campanha – o que não foi suficiente para derrotar Trump, que gastou pouco mais de US$ 600 milhões. 

O recordista em arrecadação ainda é Barack Obama. Em sua campanha pela reeleição, apenas no segundo trimestre de 2011, ele recebeu US$ 86 milhões – quase o dobro do arrecadado agora por Trump. Alguns meses depois, em maio de 2012, uma festa na casa do ator George Clooney, em Los Angeles, rendeu à campanha de Obama US$ 15 milhões em uma noite. 

Com o bom resultado anunciado, Trump acumulou em 2019 US$ 143 milhões, dos quais US$ 102,7 milhões ainda estão disponíveis na virada do ano. O chefe da campanha do presidente americano, Brad Parscale, comemorou no Twitter o que ele disse, exageradamente, ser “a maior arrecadação para uma campanha à reeleição de um presidente americano”. 

“O cofre de guerra do presidente e o Exército de partidários da base fazem de sua campanha de reeleição um monstro impossível de ser contido”, disse Parscale. “Os democratas e os meios de comunicação estiveram em um frenético simulacro de impeachment e a campanha do presidente ficou apenas maior e mais forte, com nosso melhor trimestre de arrecadação.”

Os valores recolhidos por Trump no último trimestre de 2019 superam o de qualquer candidato democrata na corrida presidencial. O rival que mais arrecadou no período foi o senador Bernie Sanders, que obteve US$ 34,5 milhões em doações, fechando o ano de 2019 com US$ 96 milhões em caixa.

Sanders, que defende um sistema de saúde universal gratuito e faz campanha contra a influência empresarial e a desigualdade econômica, vem sendo sustentado por pequenos doadores, a maioria jovens que colaboram pela internet.

Faiz Shakir, seu chefe de campanha, disse que o “movimento de raiz” de Sanders mostrou que ele é o pré-candidato mais bem colocado para derrotar Trump. “Sanders está provando a cada dia que os americanos da classe trabalhadora estão prontos e dispostos a financiar plenamente uma campanha que os defenda e enfrente as grandes corporações e os ricos.” 

Na corrida democrata, logo atrás de Sanders aparece o prefeito de South Bend, Pete Buttigieg, que recebeu US$ 24,7 milhões no último trimestre de 2019. Joe Biden, ex-vice-presidente dos EUA, anunciou uma arrecadação de US$ 22,7 milhões – seu melhor resultado. 

Biden ainda é o democrata que mais incomoda Trump. Segundo as duas sondagens mais recentes, o democrata está na frente do presidente republicano na pesquisa do instituto Ipsos (39% a 35%) e da CNN (49% a 44%). A senadora Elizabeth Warren, que em algumas pesquisas aparece como favorita à nominação democrata, arrecadou pelo menos US$ 17 milhões nos últimos três meses de 2019, mas o número definitivo não foi divulgado. / REUTERS, WP e NYT

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