AP Photo/ Samir Bol
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Erro em vacinação contra sarampo mata 15 crianças no Sudão do Sul

Ministro da Saúde do país afirmou que 300 pessoas foram vacinadas com a mesma seringa sem que ela fosse esterilizada; outas 32 crianças foram afetadas, mas sobreviveram

O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2017 | 05h45
Atualizado 02 de junho de 2017 | 12h53

JUBA - Quinze crianças morreram no início de maio após receber uma vacina contaminada em uma região isolada do sudeste do Sudão do Sul, anunciou nesta sexta-feira, 2, o ministro de Saúde.

"A equipe de vacinação não respeitou as normas de segurança aprovadas pela Organização Mundial de Saúde", declarou o ministro Riek Gai Kok, que denunciou a utilização de somente uma seringa durante a campanha contra o sarampo, que durou quatro dias.

"A reutilização da seringa, denominada reconstituição, implica que esta última está contaminada e, por sua vez, contamina os frascos da vacina contra o sarampo e infecta todas as crianças", criticou o ministro.

A investigação, comandada por uma comissão sul-sudanesa especializada em saúde e com a ajuda de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), demonstrou que as vacinas administradas na região de Kapoeta não foram conservadas respeitando as regras da cadeia de frio, o que favoreceu a sua contaminação.

As crianças começaram a morrer em razão deste incidente a partir de 2 de maio, enquanto outras 32 sofreram sintomas que incluíram vômito, febre e diarreia, embora tenham sobrevivido. No total, 300 pessoas foram vacinadas durante esta campanha.

A campanha contra o sarampo é voltada a mais de 2 milhões de crianças de até 12 anos de idade no país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) oferece treinamento aos agentes de saúde e a Organização das Nações Unidas (ONU) fornece as vacinas ao governo.

O Sudão do Sul, país produtor de petróleo que se tornou independente em 2011, vem tendo dificuldade para oferecer serviços básicos, como os de saúde, desde que mergulhou em uma guerra civil em dezembro de 2013. / AFP, REUTERS e AP

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