Campanha democrata prepara artilharia pesada

Bastidores: Jeremy Peters / NYT

O Estado de S.Paulo

10 Maio 2012 | 03h07

Esqueça a "esperança" e a "mudança", slogans usados por Barack Obama na campanha de 2008. Depois de meses de planejamento, os assessores de imprensa do presidente montaram uma estratégia agressiva para retratar o virtual rival republicano, Mitt Romney, como um homem insensível à dura situação da classe média e comprometido com os interesses poderosos.

Segundo os coordenadores da campanha, uma parte considerável do orçamento será destinada à propaganda - estão dispostos a bater o recorde de gastos com publicidade na história da disputa pela Casa Branca. Nos anúncios, vídeos na internet e programas online, o presidente aparecerá como alguém que pretende frear a influência das "grandes empresas do petróleo", vinculando-as a Romney. Obama será o líder que poupou centenas de milhares de empregos ao socorrer o setor automotivo, enquanto o republicano mandou vagas de trabalho ao exterior. "É exatamente o que você pode esperar de alguém com uma conta num banco suíço", diz uma propaganda, referindo-se a recursos que o rival teria no exterior.

O time de Obama admite que um ataque feroz ao republicano tem riscos. "Temos de ser cuidadosos, pois o presidente tem regras de comportamento e uma marca pessoal forte", diz David Axelrod, estrategista do democrata. "É possível ser duro e justo, duro e factual. É o que faremos".

A campanha de Obama, porém, enfrenta problemas quanto à sua própria mensagem. Um grande desafio, reconhecido pelos assessores, é transmitir otimismo com o progresso do país sem parecer surdo às dificuldades que muitos americanos ainda enfrentam.

"Se a sua casa está submersa na água ou você não pode pagar seu carro, não vou querer convencê-lo de que tudo está tudo bem", disse Jim Margolis, um dos coordenadores da equipe de publicitários da campanha democrata. Mas observando alguns feitos de Obama, como o socorro às montadoras, ele acrescentou: "Embora não pretendemos fazer pouco das dificuldades, tampouco podemos ficar intimidados ao relatar o que o presidente vem realizando".

Na campanha de 2008, Margolis produziu um anúncio que repetia constantemente a afirmação desavisada de John McCain de que "os fundamentos da nossa economia estão fortes", ajudando a inculcar essa frase na mente do eleitor quando a economia entrou em colapso naquele. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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