Campanha e polarização prejudicam corte no déficit fiscal

Para analistas, políticos travam discussão irreal sobre as contas públicas um ano antes de eleição

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2011 | 00h00

A polarização do debate sobre o Orçamento nos Estados Unidos, aprovado na semana passada, e o início da mobilização para a eleição de 2012 devem dificultar a pretensão do presidente Barack Obama de obter um acordo bipartidário sobre o corte de US$ 4 trilhões no déficit fiscal em 12 anos e a ampliação do teto da dívida pública.

De acordo com analistas ouvidos pelo Estado, democratas e republicanos estão travando um debate irrealista sobre a crise nas contas públicas americanas. Para o diretor do Center for North American Studies (SIS) da American University, Robert Pastor, dificilmente haverá um acordo para reduzir o déficit até a sucessão de Obama. "Não vejo possibilidade de acordo sobre as propostas sobre as contas públicas antes das eleições presidenciais", diz. "Os dois lados estão em um jogo fantasioso, em um debate irrealista sobre a crise fiscal.

Impasse orçamentário. Na semana passada, com seis meses de atraso, o Congresso aprovou o orçamento de 2011. A negociação do tema entre a Casa Branca e a Câmara dos Representantes, controlada pela oposição, trouxe a público um ambiente de confrontação pré-eleitoral. Houve um acordo sobre o corte adicional de despesas de US$ 38 bilhões, mas as posições de democratas e republicanos sobre temas caros às suas agendas políticas mostram o quanto suas ambições eleitorais motivam, desde já, esse comportamento.

Corrida antecipada. A sucessão de Obama começou mais cedo. O presidente anunciou neste mês sua intenção de disputar um novo mandato. Do lado republicano, oito candidatos já indicaram que pretendem disputar a vaga nas eleições primárias ano que vem.

Projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que a economia americana deve crescer cerca de 2,5% este ano. O país deve fechar 22011 com um rombo fiscal de US$ 1,3 trilhão e com uma dívida pública de US$ 14,3 trilhões, quase o total de toda a produção americana em um ano.

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