AFP PHOTO / Filippo MONTEFORTE
AFP PHOTO / Filippo MONTEFORTE

Campanha eleitoral britânica é retomada com críticas a May por atentado

Premiê é acusada de ter responsabilidade no ataque em razão dos cortes feitos no setor de segurança; país continua em alerta máximo e Moscou recomenda que cidadãos russos evitem viajar ao Reino Unido

O Estado de S.Paulo

26 Maio 2017 | 11h14

LONDRES - A campanha eleitoral no Reino Unido foi retomada nesta sexta-feira, 26, com críticas à primeira-ministra britânica, Theresa May, e aos conservadores após o atentado em Manchester, que deixou 22 mortos e mais de 60 feridos ao fim do show da cantora pop americana Ariana Grande. No momento, autoridades continuam as investigações sobre o caso e realizam novas prisões.

A menos de duas semanas das eleições de 8 de junho, uma pesquisa do instituto YouGov para o jornal The Times mostra uma vantagem de apenas de 5% nas intenções de voto dos conservadores (43%-38%) em relação aos trabalhistas liderados por Jeremy Corbyn, contra 20% no início da campanha. A enquete foi realizada nesta semana, dominada pelo noticiário do atentado que chocou o país e o mundo.

Em um discurso feito nesta sexta-feira, Corbyn criticou os cortes orçamentários na área de segurança e disse que participar em guerras no exterior aumenta a possibilidade de atentados em casa.

"Muitos analistas, incluindo profissionais de nossos serviços de inteligência e segurança, têm apontado as conexões entre as guerras em outros países que nosso governo apoia, ou das quais participa, com o terrorismo em casa", afirmou Corbyn.

As críticas do líder trabalhista se unem às declarações de Suzanne Evans, a número dois do Ukip (Partido para a Independência do Reino Unido), para quem May "tem parte da responsabilidade" no atentado em razão dos cortes na área de segurança.

May foi ministra do Interior durante seis anos, antes de virar chefe de governo em 2016 com a renúncia do também conservador David Cameron, que deixou o cargo após a derrota no referendo sobre a saída do país da União Europeia (UE).

De acordo com dados do Instituto de Estudos Fiscais (IFS, em inglês), o país tem 14% a menos de policiais que em 2009, quando os conservadores assumiram o poder. Os gastos com a polícia também registraram queda de 14%, em termos reais, entre 2010 e 2016.

Londres recebeu pela primeira vez o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, que expressou sua solidariedade e tentou reduzir a tensão provocada pelos vazamentos à imprensa americana de detalhes sobre a investigação do atentado compartilhados com Washington. "Assumimos nossa responsabilidade e obviamente lamentamos o que aconteceu", afirmou ele.

Segurança. O alerta máximo no país provocou a presença pela primeira vez de policiais armados nos trens e a suspensão das viagens escolares a Londres, além de outras medidas de vigilância para um fim de semana prolongado - segunda-feira é feriado no país -, com grandes eventos e aglomerações previstos, como a decisão da Copa da Inglaterra.

A polícia não considera desmantelada a célula que auxiliou Abedi no atentado e, segundo a imprensa britânica, as autoridades pediram aos hospitais que permaneçam em alerta para a possibilidade de novos ataques.

A Rússia recomendou que seus cidadãos evitem as viagens ao território britânico pelo nível de ameaça terrorista no país. "A embaixada da Rússia no Reino Unido recomenda aos cidadãos russos que evitem viajar ao país, sobretudo visitar suas megalópoles, exceto se a viagem obedecer uma extrema necessidade", afirma um comunicado da Agência de Turismo Russa.

Já o presidente da França, Emmanuel Macron, ofereceu apoio a May na luta contra o terrorismo. "Nós conhecemos esse tipo de ataque", disse ele. "Nós vamos fazer tudo que pudermos para aumentar essa cooperação em nível europeu, para fazer mais do ponto de vista bilateral contra o terrorismo. Nós vamos fazer isso todo o dia, porque esse é o desafio em comum."

Prisões. A polícia anunciou a detenção nesta madrugada de outro homem na investigação do ataque em Manchester. Oito pessoas permanecem presas no Reino Unido, incluindo um irmão do autor do atentado, Salman Abedi, de 22 anos. Os detidos são oito homens com idades entre 18 e 38 anos. O pai e outro irmão de Abedi estão detidos na Líbia.

Aos poucos, a polícia reconstitui o itinerário de Salman Abedi até sua morte no ataque de segunda-feira 22. Nascido em Manchester, filho de pais líbios que fugiram do regime de Muamar Kadafi, ele viajou à Líbia e retornou ao Reino Unido poucos dias antes do atentado.

No caminho de volta a Manchester a partir da Líbia, Abedi fez escalas em Istambul e Dusseldorf, sem abandonar as áreas de trânsito dos dois aeroportos. Os voos diretos entre a Turquia e o Reino Unido são particularmente vigiados pela possibilidade de transporte de combatentes da Síria e do Iraque.

De acordo com os jornais The Sun e The Times, Abedi passou seus últimos dias em um apartamento alugado no centro de Manchester, perto da estação Piccadilly e da Manchester Arena, onde pode ter fabricado a bomba utilizada na ação. / AFP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.