Campanha eleitoral italiana mantém América Latina às sombras

O pleito de 9 e 10 de abril será a primeira eleição parlamentar na Itália em que os italianos residentes no estrangeiro poderão eleger representantes locais para defender seus interesses. Mas, centradas em questões econômicas e de política interior, as campanhas dos principais candidatos ao cargo de primeiro ministro fazem escassas referências ao exterior. E, quando fazem, as poucas propostas nesse sentido referem-se quase que exclusivamente à União Européia e aos vizinhos do Leste Europeu. O candidato da oposição, Romano Prodi, lamentou publicamente que a América Latina tenha sido "esquecida" da lista de prioridades da política exterior italiana, mas considera que agora "há oportunidades para estreitar relações" que se quer existiam há cinco anos. Segundo a imprensa estrangeira, a chave está na "nova atenção da América latina à Europa e à Itália", que "abre caminho" para as relações. Porém, estas relações não se firmaram nos programas das duas coalizões na disputa, a progressista União, de Romano Prodi, e a Casa das Liberdades, do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Para a União, as prioridades são afirmar a Itália como potência na União Européia e reforçar os vínculos comerciais com a Ásia. Já a Casa das Liberdades está decidida a defender o "made in Italy" nos mercados emergentes, e concorda com a União em reforçar vínculos com os asiáticos. Balança com a América Latina Apesar da falta de referências concretas à América Latina por parte de ambos os candidatos, a Itália mantém com esse continente estreitos vínculos econômicos, especialmente com a Argentina e o Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, em 2004, a balança comercial com a América Central e do Sul foi de 625 milhões de euros positivos. Em concreto, a Itália exportou para a Argentina bens por 567 milhões de euros e importou 974 milhões euros. No Brasil, as exportações chegaram a 1,8 bilhões de euros e as importações a 2,673 bilhões. Eleitores sul-americanos Nos países sul-americanos residem aproximadamente 890 mil dos 2,8 milhões de italianos eleitores emigrantes. Os votos dos italianos que vivem na América determinam cinco deputados e três senadores, enquanto os residentes na Europa elegem seis deputados e dois senadores, e os da África, Ásia e Oceania elegem um deputado e um senador. O voto ultramarino tem a particularidade de que pode fazer listas abertas de candidatos próprios, ou seja, os eleitores podem votar em um candidato, não na legenda. Os candidatos que disputarão por estas listas precisam ser residentes no estrangeiro, e se eleitos, deverão se transferir para Roma para participar das sessões parlamentares. A Argentina é determinante para os resultados referentes na América Latina, pois no país residem mais da metade dos italianos da região. O ministro dos Italianos no Mundo, Mirko Tremaglia, que fez o projeto para a reforma que permite a votação no exterior, realizou em março uma extensa viagem pela Venezuela, Peru, Brasil, Argentina e Uruguai para pedir a participação com o tema "Votem a quem se pareça com vocês, mas votem". "Votad a quien os parezca, pero votad", em italiano.

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