Campanha estatística determinou vitória

A bem-sucedida estratégia de campanha que levou o presidente Barack Obama à reeleição começou há 18 meses e teve como base um rigoroso processo de pesquisa e estatística. O plano deu certo. Dentre todos os 11 Estados decisivos para a vitória no Colégio Eleitoral, o democrata venceu em 10. O republicano Mitt Romney superou o rival apenas na Carolina do Norte. No voto popular, Obama também venceu, ainda que com porcentual menor do que há quatro anos.

CHICAGO, EUA, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2012 | 02h01

Segundo o principal estrategista de Obama, David Axelrod, a vitória indica mudança de paradigmas para as próximas eleições. A estratégia, detalhada pela revista Time, consistiu na montagem de uma equipe de estatísticos cinco vezes maior do que o de 2008, sob o comando de Rayid Ghani, ex-líder dos pesquisadores do Accenture Technology Lab.

Com suas análises, esse time ajudou Obama a arrecadar US$ 1 bilhão, a redefinir os alvos de suas propagandas pela televisão e a criar um modelo sobre os eleitores indecisos de Estados tradicionalmente indecisos para tornar mais eficiente a abordagem dos voluntários.

Esse trabalho começou há 18 meses, quando Romney era ainda apenas um potencial candidato. Na ocasião, o recém-nomeado diretor da campanha de Obama, Jim Messina, declarara o fim do instinto político na atuação da campanha. "Nós vamos medir e calcular os mínimos detalhes campanha", disse em reunião, segundo a Time.

A equipe de Ghani montou um único sistema de dados com informações coletadas de pesquisas de opinião, de doações para a campanha, de trabalho de campo de voluntários, de dados sobre o consumo dos eleitores e até mesmo de sua participação na mídia social. Era o "código nuclear" da campanha de Obama.

Vantagem. O presidente conquistou dois Estados no Colégio Eleitoral a menos do que em 2008 - perdeu Indiana e Carolina do Norte. Com os 29 delegados ainda indefinidos, Obama tem um placar favorável no Colégio Eleitoral de 303 a 206. Em 2008, vencera por 365 a 173. A vantagem no voto popular, que foi de 7 pontos em 2008, caiu para 2 este ano.

Apesar disso, Obama teve sua vitória anunciada bem antes do previsto e mais vigorosa do que o imaginado pelos analistas locais. Com as pesquisas de boca de urna e parciais de apuração, os principais institutos e redes de televisão começaram a divulgar projeções cada vez mais favoráveis a Obama nos Estados-chave.

Após a vitória na Pensilvânia, para onde Obama enviara o presidente Bill Clinton na reta final da campanha, seguiram-se vitórias em Michigan, New Hampshire, Minnesota, Wisconsin e Ohio, que selou a maioria necessária de 270 delegados no Colégio Eleitoral.

Com as projeções mais consolidadas sobre as votações no Colorado, Nevada, Iowa e a tendência de vitória de Obama na Flórida, Romney reconheceu a derrota. Somente depois disso, por tradição, Obama celebrou sua vitória em Chicago e discursou para seus partidários. / D.C.M.

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